
Prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) e o governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos) – Foto: Ronaldo Silca/Estadão
A crise no fornecimento de energia elétrica em São Paulo, agravada após fortes ventos que atingiram a capital, intensificou o embate entre autoridades estaduais, municipais e o governo federal. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) passaram a defender uma intervenção federal na Enel, concessionária responsável pela distribuição de energia no estado. A proposta, no entanto, foi rebatida pela ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT).
Em entrevista à CBN, Ricardo Nunes afirmou que a Enel não mobilizou equipes suficientes para restabelecer o serviço nem para remover as 48 árvores que seguem caídas na cidade. Segundo o prefeito, a empresa teria fornecido informações falsas sobre o número de equipes em atuação.
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“Eles dizem que tinham 1,5 mil equipes trabalhando, mas, ao cruzarmos os dados das placas dos veículos no sistema SmartSampa, identificamos menos de 40 circulando pela cidade”, afirmou. Nunes informou ainda que notificou oficialmente a Enel e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por meio da Procuradoria-Geral do Município.
O prefeito declarou que a situação se repete a cada evento climático e colocou em dúvida a permanência da concessionária na capital. “Essa empresa não tem mais condições de continuar operando em São Paulo”, disse.
O governador Tarcísio de Freitas também criticou a atuação da Enel e afirmou que o Estado está “refém” do contrato de concessão firmado em nível federal. Ele informou ter enviado um ofício à Aneel relatando os apagões em larga escala na capital e na região metropolitana.
“Não dá para aceitar que, a cada chuva ou vento, a população fique dias sem energia. Isso vai continuar acontecendo se nada mudar”, afirmou o governador, que disse já ter alertado o Ministério de Minas e Energia sobre a fragilidade da rede elétrica.
A resposta do governo federal veio por meio da ministra Gleisi Hoffmann, que usou as redes sociais para rebater as críticas. Segundo ela, Tarcísio tenta transferir a responsabilidade pela crise ao Planalto.
“Tarcísio Freitas e Bolsonaro sempre defenderam a privatização de serviços essenciais. Agora, o governador quer jogar a crise da Enel no colo do governo federal”, escreveu. Gleisi também descartou a possibilidade de intervenção federal, afirmando que a privatização da Eletrobrás retirou da União a única empresa capaz de assumir a distribuição de energia no estado.
Enquanto o debate político se intensifica, surgiram denúncias de irregularidades envolvendo funcionários da Enel. Em Diadema, na Grande São Paulo, moradores relataram à Polícia Militar que técnicos da concessionária teriam cobrado propina para religar o fornecimento de energia. Os valores teriam variado entre R$ 300 e mais de R$ 1 mil.
Os envolvidos foram conduzidos ao 3º Distrito Policial de Diadema, onde o caso foi registrado e será investigado.
