
A cidade de Flores da Cunha foi atingida por um tornado, com ventos que, provavelmente, superaram os 100 km/h – Foto: Reprodução
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul confirmou nesta terça-feira (9) que o município de Flores da Cunha foi atingido por um tornado na tarde de segunda-feira (8). De acordo com o Centro de Monitoramento do órgão, os ventos ultrapassaram os 100 km/h, provocando destruição significativa na comunidade de Alfredo Chaves, no interior da cidade.
O levantamento inicial aponta que ao menos 60 residências sofreram danos. Telhados foram arrancados, pavilhões desabaram e construções históricas tiveram estruturas comprometidas. Registros divulgados nas redes sociais mostram destroços espalhados pelas ruas, placas metálicas retorcidas e imóveis parcialmente destelhados. Escolas, comércios, uma igreja e uma Unidade Básica de Saúde também foram atingidos.
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A confirmação do fenômeno veio após análise de imagens de campo feitas por equipes do Departamento de Gestão de Desastres, deslocadas ao local logo após o episódio. Segundo os técnicos, o padrão dos danos e a dispersão dos detritos em múltiplas direções são características típicas de um tornado. Imagens de radar das 17h30 de segunda-feira também indicaram uma tempestade de forte intensidade sobre a região atingida.
Diante da situação, o governador Eduardo Leite afirmou que determinou o envio imediato de equipes estaduais para apoio às ações emergenciais. O chefe da Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, foi enviado ao município ainda na madrugada para coordenar os atendimentos. “Seguimos acompanhando de perto a situação e garantindo que ninguém ficará desassistido”, declarou o governador.
As autoridades reforçam que, em caso de emergência, a população deve acionar os números 190 ou 193.
Compreendendo o fenômeno
Tornados são considerados os mais violentos entre os eventos meteorológicos severos. Eles se formam a partir de nuvens de tempestade muito desenvolvidas, conhecidas como cumulonimbus, e se caracterizam por uma coluna de ar em rotação intensa conectando a base da nuvem ao solo. Em situações extremas, os ventos podem ultrapassar 300 km/h, causando destruição concentrada, porém de grande intensidade.
Diferentemente dos tornados, ciclones são sistemas de grande escala, capazes de se estender por centenas de quilômetros. Quando se formam sobre o oceano, podem evoluir para furacões ou tufões; sobre o continente, provocam ventos fortes e chuvas persistentes. Nos últimos anos, o Sul do Brasil tem registrado aumento na frequência e intensidade de ciclones extratropicais, influenciados por mudanças climáticas globais.
Tempestades severas, por sua vez, englobam condições atmosféricas perigosas — como granizo, descargas elétricas e chuva intensa — mas nem sempre apresentam rotação de ventos. Esses eventos podem gerar alagamentos, interrupções no fornecimento de energia e danos em áreas urbanas e rurais.
A combinação entre calor, umidade e instabilidade atmosférica favorece a formação desses fenômenos. Especialistas destacam que o aquecimento global tem contribuído para tornar episódios extremos cada vez mais recorrentes na região Sul, especialmente durante a primavera, quando o clima é mais variável.
