
O iate Iana III tem histórico de serviços prestados a políticos amazonenses, sendo citado em diferentes episódios – Foto: Reprodução
A locação de um barco de luxo para abrigar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e parte de sua comitiva durante a COP30, em Belém (PA), virou alvo de representações junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Tribunal de Contas da União (TCU).
O autor das ações é o deputado federal Sanderson (PL-RS), vice-líder da oposição na Câmara, que questiona a legalidade e a transparência da contratação da embarcação Iana III, feita pela empresa Icotur Transporte e Turismo, sediada em Manaus.
Continua depois da Publicidade
Segundo o parlamentar, a decisão de alugar o barco contraria princípios de economicidade e eficiência na administração pública. Ele afirma que a Marinha do Brasil havia oferecido, sem custos, um navio para servir de hospedagem à comitiva, mas o governo teria recusado a proposta por considerar o local “inadequado” e “pouco confortável”.
O Iana III, fabricado entre 2010 e 2011, é um barco de grande porte, com cerca de 45 metros de comprimento, três andares, e estrutura completa de hotel flutuante, incluindo ar-condicionado em todas as cabines. O consumo estimado da embarcação varia entre 50 e 150 litros de diesel por hora, podendo ultrapassar 4 mil litros durante o período da conferência.
Embora o valor exato do contrato não tenha sido divulgado, estimativas de mercado indicam diárias médias de R$ 2,6 mil por pessoa, o que pode representar um custo total elevado, considerando a equipe que acompanha o presidente.
Em nota, o governo federal defendeu a contratação, alegando que o processo foi realizado dentro da legalidade e que a opção pelo barco ocorreu devido à lotação da rede hoteleira de Belém, que está recebendo milhares de participantes da conferência climática.
As representações pedem que a PGR e o TCU apurem se houve uso indevido de recursos públicos e se a justificativa do governo se sustenta diante de alternativas mais econômicas. Até o momento, os órgãos de controle não se manifestaram sobre a abertura de investigação.
A COP30, que será sediada em Belém em novembro, reunirá chefes de Estado, ambientalistas e líderes empresariais de todo o mundo para discutir metas globais de redução de emissões e preservação ambiental.
Falhas na organização e improvisos da COP30
A polêmica envolvendo o barco presidencial expõe fragilidades na organização do governo para a COP30. A justificativa de escassez de hospedagem evidencia a falta de planejamento logístico prévio, já que o evento foi confirmado há mais de um ano e envolve a recepção de delegações internacionais.
Além disso, a escolha de um barco de luxo, em vez de alternativas institucionais como o navio da Marinha, reforça críticas sobre desalinhamento entre discurso ambiental e práticas administrativas. O episódio também aponta falta de transparência nos contratos e ausência de critérios claros de economicidade, o que amplia a desconfiança sobre os gastos públicos relacionados à conferência.
