
O governador do Pará Helder Barbalho reage à publicação de Trump com um tom firme – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), protagonizaram uma troca de declarações neste domingo (9) em torno da COP30, conferência do clima da ONU sediada em Belém (PA).
Trump, que não participou do evento, publicou em suas redes sociais uma crítica alegando que o Brasil teria “destruído a Floresta Amazônica” para construir uma estrada de acesso à conferência. Horas depois, Barbalho respondeu, defendendo as políticas ambientais do estado e ironizando o americano: “É melhor agir do que postar.”
Continua depois da Publicidade
O que disse Donald Trump

Trump vem reduzindo investimentos voltados ao clima – Foto: Kent Nishimura/REUTERS
Em uma postagem feita pela manhã, o presidente americano escreveu:
“Eles destruíram a Floresta Amazônica no Brasil para construir uma estrada de quatro pistas para os ambientalistas passarem. Se tornou um grande escândalo!”
Trump também compartilhou um vídeo da emissora Fox News, mostrando um repórter em Belém que ironizava a realização da cúpula:
“O Brasil desmatou a Amazônia só para que as pessoas pudessem chegar a Belém e dizer que estão cuidando da floresta.”
Segundo analistas, Trump fazia referência à Avenida Liberdade, projeto de rodovia que ainda não foi inaugurado. A CNN Brasil apurou que o empreendimento foi concebido antes da COP30 e não integra as obras do evento.
Nos EUA, Trump vem reduzindo investimentos voltados ao clima e conduz o processo de retirada do país do Acordo de Paris, previsto para ser concluído em janeiro de 2026.
A resposta de Helder Barbalho
O governador do Pará reagiu à publicação com um tom firme e provocativo:
“Em vez de falar de estradas, o presidente norte-americano deveria apontar caminhos contra as mudanças climáticas. Poderia celebrar a redução histórica no desmatamento da Amazônia — com destaque para o Pará, que obteve o seu melhor resultado. Ou, no mínimo, seguir o exemplo do Governo do Brasil e investir mais de US$ 1 bilhão para salvar florestas no mundo. Ainda dá tempo de passar na COP30, presidente Trump. Esperamos você com um tacacá. É melhor agir do que postar.”
A fala foi amplamente repercutida nas redes e recebeu apoio de autoridades brasileiras e de representantes ambientais presentes em Belém.
O que diz o governo sobre a estrada
Em nota, a Secretaria Extraordinária para a COP30, vinculada à Casa Civil da Presidência da República, esclareceu que a Avenida Liberdade não faz parte das obras oficiais da conferência nem é de responsabilidade do governo federal.
Já a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra) informou que o traçado segue o caminho de um linhão de energia, onde a vegetação já havia sido suprimida, reduzindo o impacto ambiental.
O projeto conta com licença ambiental, 57 condicionantes socioambientais, 37 passagens de fauna, ciclovia e iluminação solar. A expectativa é de que a nova via reduza 17,7 mil toneladas de CO₂ por ano.
Autoridades locais também ressaltam que cerca de 80% da área utilizada já estava degradada e que a rodovia, com 14 km de extensão, foi planejada em 2020, antes da definição de Belém como sede da COP30.
Os acontecimentos
-
Outubro/2025 – Lula e Trump se encontram na Malásia e discutem cooperação climática.
-
9 de novembro/2025 (manhã) – Trump critica a COP30 e acusa o Brasil de desmatamento.
-
9 de novembro/2025 (noite) – Helder Barbalho responde e convida Trump a comparecer ao evento.
-
Durante a COP30 – Governo do Pará e entidades ambientais reforçam que o projeto da Avenida Liberdade é sustentável.
Contexto: COP30 em Belém
A COP30 marca a primeira conferência do clima da ONU sediada na Amazônia. O evento reúne líderes globais, cientistas e ativistas para discutir políticas de transição energética, preservação florestal e justiça climática.
Belém foi escolhida pela ONU justamente por seu papel estratégico na conservação da floresta e pelos esforços recentes na redução do desmatamento no Pará e em outros estados da Amazônia Legal.
Aproveitando a oportunidade
As declarações de Trump reacendem o debate sobre o papel das potências globais nas políticas ambientais e sobre como as ações regionais, como as do Pará, têm buscado equilibrar infraestrutura e sustentabilidade. Helder Barbalho aproveitou a crítica para reforçar a imagem do estado como protagonista climático e convidou o líder americano a participar da cúpula “com um tacacá na mão”.
