
Deputada Carla Zambelli em foto de arquivo – Foto: André Borges/EFE
O Ministério Público da Itália emitiu parecer favorável à extradição da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil, segundo informou nesta quarta-feira (22) a Advocacia-Geral da União (AGU).
A manifestação será agora analisada pela Justiça italiana, responsável por decidir se o pedido brasileiro será acatado. Caso o tribunal confirme a extradição, caberá ao governo italiano dar a palavra final sobre o retorno da parlamentar ao país.
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Zambelli está presa cautelarmente em Roma desde 29 de julho, após decisão da Justiça italiana que apontou “grave risco de fuga”.
A deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Antes que a condenação se tornasse definitiva, ela fugiu para a Itália, sendo posteriormente incluída na difusão vermelha da Interpol.
Capturada nos arredores de Roma, Carla Zambelli permanece detida na penitenciária feminina de Rebibbia, enquanto aguarda o desfecho do processo de extradição.
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) continua detida na Itália enquanto segue o processo de extradição solicitado pelo Brasil. A seguir, um panorama detalhado sobre o caso, reunindo as informações disponíveis até o momento:
1. Condenações e ordem de prisão
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Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à 10 anos de prisão por liderar a invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o objetivo de emitir um mandado falso contra o ministro Alexandre de Moraes.
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Posteriormente, foi condenada também a 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com uso de arma, após perseguição armada ocorrida em eleição de 2022.
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Com a primeira condenação, foi decretada prisão preventiva no Brasil. Antes da decisão transitar em julgado, Zambelli deixou o país.
2. Fuga, localização e prisão na Itália
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Após a condenação de 10 anos, Zambelli deixou o Brasil — passou pelos Estados Unidos e, segundo apurações, ingressou posteriormente na Itália, país onde possui cidadania.
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Em 29 de julho de 2025, a parlamentar foi presa em Roma, em operação conjunta entre a Polícia Federal do Brasil e autoridades italianas.
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A Justiça italiana considerou que havia “grave risco de fuga” e manteve sua prisão preventiva, recusando pedido de liberdade ou prisão domiciliar.
3. Extradição solicitada pelo Brasil
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O Brasil, por meio do ministro Alexandre de Moraes, formalizou em 11 de junho o pedido de extradição para a Itália.
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O governo brasileiro garantiu ao governo italiano que Zambelli não será processada por fatos anteriores ao pedido de extradição, não será punida com pena perpétua, e não será submetida a tratamento desumano ou degradante.
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O processo de extradição inclui etapas como manifestação do Ministério Público italiano, resposta da defesa de Zambelli, e julgamento pelo tribunal competente em Roma. Tempo estimado é entre 1 e 2 anos, em média, em casos semelhantes.
4. Dupla cidadania e implicações jurídicas
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Zambelli possui cidadania italiana, fato que poderia teoricamente dificultar a extradição. No entanto, a jurisprudência italiana permite extradição de cidadãos italianos quando se reconhece a prevalência da cidadania do país solicitante — o chamado critério da “cidadania prevalente”.
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Juristas apontam que, embora o governo italiano tenha liberdade em teoria, não há indícios de que ele vá bloquear o processo, apesar da demora inevitável.
5. Situação parlamentar e política no Brasil
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Apesar das condenações, Zambelli permanece formalmente deputada, pois a perda de mandato depende de tramitação na Câmara dos Deputados (CD) ou cumprimento de número de faltas previstas.
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A licença não remunerada de 127 dias, requerida em junho, impede o imediato prosseguimento do mandato.
6. Declarações da defesa e da acusação
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A defesa de Zambelli sustenta que ela é vítima de perseguição política e que sua saúde (problemas depressivos alegados) seria motivo para aguardar em liberdade ou prisão domiciliar.
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A Justiça italiana, entretanto, considerou que os argumentos de saúde e de perseguição não foram comprovados, mantendo a prisão.
Conclusão
O parecer favorável do Ministério Público da Itália à extradição representa um avanço significativo para o pedido feito pela justiça Brasileira, mas não encerra o caso: ainda há etapas processuais perante o Judiciário italiano. A extradição não ocorre automaticamente, e o processo pode levar meses ou anos — até com tratativas diplomáticas e judiciais envolvidas.
Caso aprovada, Zambelli poderá ser enviada ao Brasil para cumprir a pena, o que implicaria também a definição de seu mandato parlamentar e outras consequências políticas.
