Amazonas

Política

Educação lidera fila de devedores do Estado com quase R$ 49 milhões

Em meio ao decreto de limitação de empenhos assinado pelo governador Wilson Lima (União Brasil) — que restringe novas despesas e investimentos sob a justificativa de “ajuste fiscal” —, o Governo do Amazonas acumula uma fila de pagamentos que ultrapassa R$ 132,9 milhões, segundo relatório da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AM) divulgado nesta terça-feira (21).


Os dados fazem parte da Programação de Desembolso em Filas de Ordem Cronológica referente a 2025 e revelam que a Secretaria de Educação e Desporto (Seduc) lidera o ranking de débitos, com R$ 48,7 milhões em pagamentos pendentes. A pasta, que nos últimos anos recebeu bilhões em investimentos, foi alvo recente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) após desempenho insatisfatório no Enem 2025.

Logo atrás da Seduc aparecem a Defesa Civil do Amazonas, com R$ 10,15 milhões, o Fundo Estadual de Habitação (FEH), com R$ 10,33 milhões, e a Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), com R$ 9,98 milhões. Outras secretarias que figuram entre os maiores devedores são a Segurança Pública (SSP-AM), com R$ 8,39 milhões, e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), com R$ 6,03 milhões.

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A Secretaria de Saúde (SES-AM) também aparece na lista com R$ 4,07 milhões, seguida pelo Detran-AM, com R$ 3,76 milhões, o Cetam, com R$ 3,96 milhões, e a Seinfra, que soma R$ 3,03 milhões em débitos.

Ranking dos 10 órgãos com maiores valores a pagar:

  1. Seduc – R$ 48.705.455,76

  2. Defesa Civil – R$ 10.159.123,84

  3. Fundo Estadual de Habitação (FEH) – R$ 10.334.850,00

  4. UGPE – R$ 9.985.099,44

  5. SSP-AM – R$ 8.394.645,60

  6. UEA – R$ 6.037.629,61

  7. SES – R$ 4.072.820,32

  8. Detran – R$ 3.765.284,38

  9. Cetam – R$ 3.965.115,26

  10. Seinfra – R$ 3.030.139,46

Os números expõem uma contradição: enquanto o governo impõe cortes e limitações orçamentárias em nome do equilíbrio fiscal, a própria administração estadual acumula dívidas com fornecedores e prestadores de serviço — muitos deles ligados a áreas essenciais como educação, saúde e segurança.

O decreto de limitação, segundo analistas, impede secretarias e fundações de implementar novas políticas públicas, mas não resolve o passivo crescente de despesas anteriores. O resultado é um cenário de descompasso entre planejamento e execução, que fragiliza setores estratégicos e reforça o desgaste da gestão Wilson Lima no controle das contas públicas.