Política

Mundo

China propõe nova ordem mundial ao lado de Rússia e Índia em resposta à guerra comercial dos EUA

Em encontro da Organização para Cooperação de Xangai Plus, líderes asiáticos fortalecem alianças e defendem governança global multilateral.


O encontro contou com a presença de 20 líderes de países não ocidentais, entre eles o presidente russo Vladimir Putin – Foto: Reprodução

O presidente da China, Xi Jinping, apresentou nesta segunda-feira (1º) a Iniciativa de Governança Global (IGG), uma proposta que pode representar o início de uma nova ordem mundial, durante a 24ª cúpula da Organização para Cooperação de Xangai Plus (OCX) em Tianjin. O encontro contou com a presença de 20 líderes de países não ocidentais, entre eles o presidente russo Vladimir Putin e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi.

No discurso oficial, Xi criticou a “mentalidade da Guerra Fria, o hegemonismo e o protecionismo” que ainda impactam a governança global após 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial e do nascimento das Nações Unidas. Ele destacou a necessidade de cooperação, igualdade soberana e multilateralismo para superar o atual período de turbulência internacional.

Continua depois da Publicidade

A iniciativa chinesa surge em meio à guerra comercial imposta pelos Estados Unidos, que aplicou tarifas elevadas contra países como Índia e China e exige que Nova Délhi cesse a compra de petróleo russo — demanda rejeitada pelo governo indiano. O gesto de aproximação entre Modi, Xi e Putin, demonstrado pelo encontro sorridente e de mãos dadas, simboliza uma tentativa de fortalecer alianças estratégicas diante das pressões americanas.

Além de defender uma governança global com ampla participação dos países em desenvolvimento, Xi Jinping anunciou também um aporte financeiro de US$ 280 milhões para os membros da OCX, reforçando a cooperação em áreas como inteligência artificial, energia verde e combate ao narcotráfico.

Rússia e Índia, por sua vez, manifestaram apoio à iniciativa chinesa e ressaltaram o potencial da OCX como fórum para a construção de um sistema internacional mais justo e inclusivo, destacando ainda o avanço nas relações bilaterais, especialmente entre Índia e China, historicamente marcadas por tensões fronteiriças.

A cúpula ocorre poucos dias antes das celebrações na China pelo 80º aniversário da vitória contra a agressão japonesa na Segunda Guerra Mundial, ocasião em que cerca de 50 líderes mundiais são esperados para um desfile militar em Pequim.