Justiça

Brasília

Alexandre de Moraes: A ascensão de Ministro do STF ao protagonismo e ao poder central no Brasil

De um juiz pouco conhecido a protagonista de investigações polêmicas, Moraes passou a ser considerado a chave para a estabilidade democrática no Brasil – mas também alvo de críticas e acusações de abuso de poder.


Alexandre de Moraes em 2023 no julgamento de Jair Bolsonaro, que impediu o ex-presidente brasileiro de concorrer a cargos públicos por oito anos. (Sergio Lima/AFP/Getty Images)

Alexandre de Moraes, atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), é uma das figuras mais poderosas e controversas do cenário político e jurídico brasileiro. Sua ascensão à Corte, em 2017, ocorreu de forma inesperada, após a trágica morte do ministro Teori Zavascki em um acidente aéreo. Naquele momento, o presidente Michel Temer, sem indicações para o STF, nomeou Moraes, seu então ministro da Justiça e um nome alinhado à centro-direita paulista.

Em pouco mais de oito anos, Moraes conseguiu se transformar de um juiz de perfil técnico para um dos principais protagonistas das discussões sobre a democracia no Brasil. Seu nome se tornou central, especialmente após o polêmico Inquérito das Fake News, que ele passou a relatar em 2019. O inquérito, criado sem a solicitação da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República, foi interpretado por muitos como um marco na defesa do STF contra ataques externos, sobretudo de apoiadores de Jair Bolsonaro. Com o tempo, Moraes se destacou como um defensor ferrenho da Constituição, mas também como alvo de críticas pela concentração de poder em suas mãos.

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O Caminho até o STF

A trajetória de Moraes na carreira jurídica é marcada por uma sólida formação e por uma série de cargos públicos, incluindo promotor, secretário de Segurança Pública e ministro da Justiça. Antes de chegar ao STF, o nome de Moraes já circulava com destaque no meio jurídico e político. Sua indicação ao Supremo, segundo especialistas, foi impulsionada pela sua proximidade com o então presidente Michel Temer, que buscava um nome de confiança para enfrentar os efeitos da Operação Lava Jato, que impactava fortemente a política nacional.

O Início de Sua Ascensão: O Inquérito das Fake News

Ministro Alexandre de Moraes passou a ser visto por muitos como um defensor da estabilidade democrática – Foto: Reprodução

A verdadeira virada na carreira de Moraes no STF aconteceu em 2019, quando o presidente da Corte, Dias Toffoli, escolheu o novato Moraes para relatar o Inquérito das Fake News. A decisão de Toffoli foi polêmica, uma vez que o inquérito foi instaurado sem pedido formal das autoridades competentes. O foco da investigação era apurar ataques contra membros do STF e outros atores políticos, especialmente ligados ao bolsonarismo. Embora a medida tenha sido criticada,

Com o tempo, o inquérito ganhou força, e o papel de Moraes foi ampliado. Em 2020, após manifestações que pediam o fechamento do Congresso e do STF, o Supremo decidiu apoiar formalmente o inquérito. Essa postura consolidou Moraes como uma figura chave na proteção da democracia, especialmente em um contexto de polarização política intensa.

Multiplicação de Investigação e Processos

Após a vitória do STF sobre o inquérito das Fake News, o protagonismo de Moraes cresceu ainda mais. Uma série de outras investigações passou a ser conduzida por ele, muitas relacionadas a ações do ex-presidente Jair Bolsonaro e de aliados. Entre os casos estavam apurações sobre as vendas de joias do acervo presidencial e as ações de um suposto “gabinete do ódio” no Palácio do Planalto.

A concentração de tantas investigações nas mãos de um único ministro, no entanto, gerou críticas, com juristas questionando o potencial prejuízo à imagem do STF, acusando Moraes de personalismo e abuso de poder. Outros, no entanto, defendem sua atuação como fundamental para garantir a independência do Judiciário e a continuidade do processo democrático no país.

O Embate com o Governo Trump e a Intensificação da Polarização

Em um episódio recente, a atuação de Moraes foi ainda mais enfatizada após o ex-presidente Bolsonaro e seu filho, Eduardo Bolsonaro, tentarem interferir no processo judicial com apoio do governo dos Estados Unidos. A situação levou o STF a adotar uma postura mais firme, com Moraes determinando penas mais severas, incluindo a prisão domiciliar de Bolsonaro. O envolvimento de Donald Trump e as sanções contra o STF geraram tensões políticas, tornando a polarização entre as instituições brasileiras e os Estados Unidos um tema central no debate público.

Protagonismo ou Abuso de Poder?

Alexandre de Moraes se consolidou como um dos ministros mais influentes e polêmicos do Supremo Tribunal Federal. Se por um lado ele é visto como o bastião da defesa da democracia no Brasil, por outro, é alvo de críticas por seu estilo autoritário e pela concentração de poderes em suas mãos. Sua trajetória reflete o intenso conflito político e jurídico vivido pelo Brasil nos últimos anos, e sua influência no futuro do país ainda está longe de ser definida.

Com o julgamento de Jair Bolsonaro em andamento, o voto de Moraes será crucial para determinar o rumo de um dos processos mais decisivos da história recente do Brasil, uma prova definitiva de seu poder no Supremo.