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Guillermo del Toro emociona Veneza com nova adaptação de Frankenstein

Nova adaptação do clássico de Mary Shelley traz Oscar Isaac e Jacob Elordi em papéis principais. Filme foi aplaudido por cerca de 13 minutos e estreia em outubro nos cinemas brasileiros antes de chegar à Netflix.


Del Toro disse dar preferência a cenários reais e procurar reduzir a computação gráfica ao mínimo possível – Foto: Reprodução

O aguardado Frankenstein, dirigido por Guillermo del Toro, foi um dos grandes destaques da 82ª edição do Festival de Cinema de Veneza. A obra foi recebida com entusiasmo pelo público, que aplaudiu de pé durante 13 minutos, consolidando o longa como uma das estreias mais comentadas do ano.

O projeto é descrito pelo cineasta mexicano como “o sonho de uma vida”. Fascinado pela obra de Mary Shelley desde a infância, Del Toro disse que sua ligação com a história é quase religiosa:
Sempre esperei que o filme fosse feito nas condições certas, em uma escala que me permitisse reconstruir o mundo inteiro, afirmou durante a coletiva no festival.

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Elenco estelar

O longa conta com Oscar Isaac no papel de Victor Frankenstein, o cientista brilhante que cria um ser artificial e passa a se arrepender de sua própria ambição. A criatura é interpretada por Jacob Elordi, que assumiu o papel após Andrew Garfield deixar o projeto por conflitos de agenda. O elenco ainda inclui Christoph Waltz e a britânica Mia Goth como Elizabeth, esposa de Frankenstein que desenvolve empatia pela criação do marido.

Oscar Isaac interpreta Frankenstein, um cientista brilhante que acaba se arrependendo de seu experimento – Foto: Reprodução

Elordi contou que recebeu o convite com o projeto já adiantado e teve apenas três semanas de preparação:
Parecia uma tarefa impossível, mas quando cheguei, todos já estavam prontos. Foi como sentar à mesa de um banquete que Guillermo havia preparado, disse o ator.

Estrutura narrativa

Com 149 minutos de duração, o filme é dividido em três partes: um prelúdio seguido pelas versões dos eventos narradas sob o olhar do cientista e de sua criatura. A proposta busca dar profundidade a ambos os personagens e convidar o espectador a refletir sobre temas como humanidade, rejeição e compaixão.

Segundo Del Toro, a intenção foi “renascer a criatura” e apresentar um olhar de beleza, em vez da tradicional figura de vítima monstruosa.

Críticas divididas

As primeiras avaliações da imprensa especializada ressaltam a grandiosidade da produção. Para o site Deadline, o filme é “um retorno irresistível à grande produção cinematográfica de Hollywood”. Já o Independent foi menos generoso, considerando o longa “um espetáculo visual com pouca substância”.

Outros críticos, como David Rooney, do Hollywood Reporter, chamaram o projeto de “um dos melhores trabalhos de Del Toro”, enquanto a Total Film destacou que a obra é “magistralmente elaborada, elegante e com potencial para premiações”.

Estilo artesanal

Fiel ao seu estilo, Del Toro optou por cenários físicos em vez de computação gráfica, defendendo que a interação dos atores com ambientes reais resulta em performances mais intensas. Christoph Waltz chegou a brincar durante o festival: “CGI é para perdedores”, arrancando risadas da plateia.

Jacob Elordi tem sido elogiado por sua interpretação como a criação monstruosa de Frankenstein – Foto: Reprodução

Para o diretor, essa escolha está ligada à essência de sua visão artística:
A diferença entre CGI e cenários reais é como colírio para os olhos e proteína para os olhos. Eu quero dar substância, não apenas espetáculo, declarou.

Estreia no Brasil

Frankenstein estreia em outubro nos cinemas brasileiros e, em seguida, chega ao catálogo da Netflix em novembro.

Com esta produção, Guillermo del Toro, vencedor do Oscar por A Forma da Água (2018), reafirma sua posição como um dos maiores nomes do cinema contemporâneo, capaz de transformar histórias de monstros em reflexões profundas sobre a própria humanidade.