A Guiana se prepara para as eleições gerais que acontecerão no próximo dia 1º de setembro, com a renovação do parlamento e a definição de um novo presidente. O cenário político está marcado por uma disputa acirrada entre três candidatos que, apesar de suas diferenças ideológicas, têm chances reais de ocupar o cargo máximo do país.
O atual presidente, Mohamed Irfaan Ali, que tenta se reeleger, enfrenta a oposição do líder Aubrey Norton, da extrema esquerda, e do bilionário e candidato da “terceira via”, Azruddin Mohamed. Com perfis e propostas divergentes, esses três nomes estão definidos como os principais favoritos para a presidência da Guiana, um país que tem vivido um período de crescimento impulsionado pela exploração de petróleo.
Continua depois da Publicidade
Candidato da situação: Mohamed Irfaan Ali

Mohamed Irfaan Ali, Presidente da Guiana e candidato a reeleição – Foto: Joaquin Sarmiento/AFP
O presidente atual, Mohamed Irfaan Ali, do Partido Progressista do Povo (PPP/C), busca a reeleição com o respaldo da comunidade muçulmana de origem indiana, que constitui a maior parte da população guianense. Nascido em Leonora, na margem oeste do Rio Demerara, e com formação acadêmica em planejamento urbano e regional, Ali se destacou no governo, inicialmente em funções ministeriais, até se tornar presidente em 2020, quando derrotou David Granger nas eleições.
Ali tem sido considerado o primeiro presidente da Guiana a tirar proveito do boom do petróleo, que tem sido um fator chave para o crescimento econômico do país desde 2019. Durante seu governo, a Guiana tem adotado uma postura firme em relação à disputa territorial com a Venezuela, com o apoio dos Estados Unidos, especialmente sobre o Essequibo.
Candidato da oposição: Aubrey Norton
O líder da oposição, Aubrey Norton, é um político de 68 anos com uma postura de extrema esquerda, aliado ao Congresso Nacional do Povo (CNP). Nascido na cidade de Christianburg, Norton tem raízes na comunidade afro-guianense e uma trajetória marcada pelo ativismo, tendo estudado em Cuba e no Reino Unido.

Aubrey Norton, descrito por críticos como conflituoso, rígido e isolacionista. Figura de princípios em um cenário político moralmente comprometido — imagem que pode inspirar alguns, mas afastar muitos outros, especialmente aqueles que passaram décadas construindo a base do partido – Foto: Reprodução
Conhecido por sua veemência em criticar o governo, Norton prometeu focar em programas para reduzir o desperdício de recursos públicos, aumentar o salário dos trabalhadores e investir em educação e infraestrutura. Ele também propôs subsidiar serviços essenciais, como eletricidade e água, e usar os lucros do petróleo e gás para combater a pobreza.
Terceira via: Azruddin Mohamed
No campo da “terceira via”, Azruddin Mohamed, um bilionário e empresário de 38 anos, é um outsider da política guianense. Fundador do partido WIN (Vencemos/Investimos na Nação), Mohamed promete uma abordagem diferente das tradicionais lideranças políticas do país. Ele é conhecido por seu estilo direto e, embora pouco popular na mídia, sua juventude e dinamismo têm atraído a atenção de muitos.

Azruddin Mohamed cultiva uma imagem chamativa nas redes sociais, postando fotos de si mesmo vestindo roupas de grife e dirigindo carros esportivos exóticos, como esta Lamborghini – Foto: Reprodução/Facebook.
Mohamed, que fez fortuna na mineração de ouro, promete combater a corrupção, especialmente entre a elite política, e se compromete a abrir mão do salário presidencial, uma proposta que gerou controvérsias e curiosidade no eleitorado. Apesar de ser um nome relativamente novo, seu discurso contra o establishment político o torna um candidato que pode ser uma alternativa para aqueles insatisfeitos com o status quo.
Um futuro em jogo para a Guiana
Enquanto os três candidatos têm propostas distintas, a eleição de 2025 na Guiana é decisiva para o futuro do país, especialmente no contexto do crescente poder econômico ligado ao petróleo e as questões geopolíticas envolvendo a Venezuela. A questão da corrupção, a distribuição dos recursos naturais e a abordagem política em relação à Venezuela serão determinantes para os próximos anos do país. Em um cenário de polarização, a escolha entre continuidade, oposição radical ou uma tentativa de renovação política está em jogo.
Aspectos positivos para o Brasil e a região:
Entre os candidatos, há alguns aspectos que podem ser benéficos para a Guiana e, por consequência, para a relação com o Brasil:
-
Estabilidade Econômica com Irfaan Ali: A continuidade de Irfaan Ali na presidência poderia significar uma manutenção do status quo no setor energético, especialmente o petróleo. A Guiana tem se tornado um parceiro importante para o Brasil em termos de investimentos e infraestrutura. A estabilidade política e econômica do país, principalmente no setor energético, pode trazer benefícios mútuos.
-
Combate à Corrupção com Azruddin Mohamed: Embora sua trajetória seja controversa, a promessa de combater a corrupção e a elite política, feita por Mohamed, poderia trazer uma nova dinâmica para a política da Guiana. Isso pode ter repercussões positivas na transparência e governança, criando um ambiente de maior confiança para negócios e parcerias regionais, como os acordos econômicos com o Brasil.
-
Desafios Regionais com Aubrey Norton: Embora sua postura de extrema esquerda e as propostas de redistribuição de riqueza e maior controle estatal possam ser vistas com ceticismo, a ênfase de Norton na soberania da Guiana e na luta contra o desperdício de recursos pode fortalecer a posição do país na região, especialmente em relação ao Brasil e outros vizinhos, como Suriname e Venezuela.
Em termos gerais, qualquer que seja o vencedor, a Guiana tem o potencial de se tornar um parceiro ainda mais estratégico para o Brasil, seja em termos de energia, comércio ou diplomacia regional.
