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PF indicia Bolsonaro e Eduardo por obstrução; Malafaia é alvo de busca ao desembarcar no Galeão

Investigação aponta plano de fuga para Argentina, uso de terceiros para driblar Justiça e articulação internacional contra o STF.


A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por tentativa de obstrução de Justiça nas investigações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado. O pastor Silas Malafaia também foi alvo de mandado de busca e apreensão ao desembarcar no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, após viagem a Lisboa.

De acordo com o relatório final entregue ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), os indiciados teriam praticado os crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

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A PF aponta ainda que Bolsonaro planejava solicitar asilo político na Argentina, com base em uma minuta encontrada em seu celular — o arquivo foi modificado dois dias após a Operação Tempus Veritatis, em fevereiro deste ano.

“O documento, mesmo sem data ou assinatura, revela planejamento para fuga e tentativa de impedir a aplicação da lei penal”, afirma o relatório de 170 páginas, assinado por três delegados federais.

Uso de redes sociais, listas de transmissão e articulação com Malafaia

Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto, já havia sido alvo de medidas cautelares impostas pelo STF, incluindo o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, a proibição de uso de redes sociais, de contato com outros investigados e de aproximação com embaixadas.

Apesar disso, a PF afirma que o ex-presidente utilizou contas de terceiros e instruções por WhatsApp para continuar se manifestando. Entre os aliados mobilizados, está o pastor Silas Malafaia, que, segundo os investigadores, teve papel ativo na disseminação de conteúdos e no incentivo ao descumprimento das ordens judiciais.

As buscas contra Malafaia foram autorizadas por Moraes após a PF identificar que ele orientava Bolsonaro a burlar as restrições e articulava ações de pressão contra o Judiciário. Diálogos mostram que o pastor pedia que o ex-presidente enviasse vídeos para sua lista de transmissão, com o slogan “VOCÊ É A VOZ!”, e alertava sobre possíveis retaliações contra ministros do STF.

“Malafaia exerceu influência direta sobre a estratégia comunicacional da família Bolsonaro”, diz a PF.

Eduardo Bolsonaro e atuação nos EUA

A atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos também é alvo da investigação. A PF aponta que ele articulou ataques contra autoridades brasileiras no exterior, o que culminou em sua inclusão em sanções da Lei Magnitsky e na revogação de seu visto americano. A movimentação internacional teria sido parte da estratégia para deslegitimar o STF.

As relações com agentes estrangeiros também incluíram o advogado Martin de Luca, ligado à Trump Media & Technology Group e à plataforma Rumble. Bolsonaro teria recebido de De Luca uma petição contra Moraes protocolada nos EUA, além de uma versão traduzida encontrada em sua mesa de trabalho. O relatório indica que o ex-presidente buscou orientação do advogado para redigir manifestações públicas alinhadas a ações internacionais.

Julgamento marcado para setembro

Bolsonaro é réu em ação penal no STF por sua suposta participação na tentativa de golpe em 2022. O julgamento está marcado para começar em 2 de setembro, na Primeira Turma da Corte. O processo envolve também o general Walter Braga Netto, preso desde dezembro de 2024, com quem o ex-presidente teria mantido contato mesmo sob proibição judicial.

A investigação mostra que, mesmo após operações e medidas restritivas, os indiciados continuaram agindo para obstruir a Justiça e articular ataques ao sistema democrático. Agora, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliar se oferece denúncia formal ao Supremo.