O Banco do Brasil (BBAS3) iniciou o pregão desta sexta-feira (16) em forte queda, refletindo a repercussão negativa do balanço do primeiro trimestre de 2025, que veio abaixo das expectativas do mercado. Às 10h, as ações caíam 13,88%, negociadas a R$ 25,32, apesar da valorização acumulada de cerca de 8% no ano.
O banco também suspendeu suas projeções (guidance) para 2025, o que ampliou a aversão dos investidores.
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BB: lucro foi resultado de inadimplência de agro e ‘timing desfavorável’, diz CEO – Foto: Reprodução
Lucro e rentabilidade decepcionam
O lucro líquido do BB recuou 20,7% na comparação anual, totalizando R$ 7,37 bilhões — valor bem abaixo da estimativa de consenso, que era de R$ 9,1 bilhões. A rentabilidade (ROE) caiu para 16,7%, representando uma queda de quase 5 pontos percentuais frente ao mesmo período do ano passado.
A margem financeira líquida encolheu 20,1%, atingindo R$ 13,73 bilhões. Já as provisões para perdas com calotes dispararam 64,2%, somando R$ 15,45 bilhões. Por outro lado, a carteira de crédito ampliada cresceu 14,4% em doze meses, chegando a R$ 1,27 trilhão.
Confira os destaques do balanço do Banco do Brasil (BBAS3) no 1T25:
| Indicador | Resultado 1T25 | Projeções de consenso | Variação (a/a) | Evolução (t/t) |
|---|---|---|---|---|
| Lucro Líquido | R$ 7,37 bilhões | R$ 9,108 bilhões | -20,7% | -23,0% |
| ROE | 16,7% | — | -4,98 p.p | -4,16 p.p |
| Provisões | R$ 15,45 bilhões | +64,2% | +66,1% | |
| Margem financeira líquida | R$ 13,73 bilhões | — | -20,1% | -21,7% |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 1,27 trilhão | — | +14,4% | +1,1% |
Analistas apontam “grande decepção”
O resultado foi classificado como “uma grande decepção” pelo BTG Pactual e “pior do que o esperado” pelo JP Morgan. Entre os principais fatores negativos, analistas destacam o aumento das provisões e a deterioração da carteira de crédito, sobretudo no setor do agronegócio — segmento no qual o BB tem uma exposição maior que os concorrentes.
Além disso, a adoção da nova resolução 4.966 do Banco Central, vigente desde janeiro, impactou significativamente o banco. A norma alterou o método de contabilização de juros em operações de crédito, afetando principalmente carteiras com períodos de carência, como é comum no financiamento ao agronegócio.
“Já esperávamos impacto, mas a magnitude foi maior do que o antecipado”, afirmou o BTG em relatório.
Impacto no payout e incertezas no horizonte
O JP Morgan chamou atenção para a queda na rentabilidade e alertou que, com o ROE abaixo de 20%, a sustentabilidade do pagamento de dividendos (payout) pode ser questionada. “Esperamos uma reação muito negativa das ações, e acreditamos que o consenso precisará ser revisto significativamente”, destacou o banco.
A Genial Investimentos rebaixou a recomendação para os papéis de “compra” para “manter”, reduzindo também o preço-alvo de R$ 40,30 para R$ 31,40 — ainda assim, indicando um potencial de valorização de 6,8%.
Já o Goldman Sachs avalia que o BB enfrenta agora três grandes desafios: reconstruir a margem financeira, conter a deterioração dos ativos no agronegócio e recuperar o ROE para patamares mais elevados.
Recomendações divididas
Apesar do desempenho abaixo do esperado, o BTG manteve a recomendação de compra para BBAS3, sustentado por fundamentos de valuation. “O banco negocia a múltiplos atrativos, cerca de 5,5 vezes o lucro estimado para 2025”, destacou a instituição, embora tenha admitido um viés negativo após os resultados.
JP Morgan e Goldman Sachs mantiveram recomendação neutra para o papel, à espera de mais visibilidade sobre a capacidade de geração de lucros do banco nos próximos trimestres.
