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Estratégia política de Lula destinada a ‘seduzir evangélicos’ no Brasil é analisada pelo jornal francês Le Monde

Destaque no jornal Le Monde desta segunda-feira (30), um longo artigo analisa a tentativa de aproximação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a comunidade evangélica no Brasil. O jornal destaca que o presidente brasileiro, que vai se candidatar novamente em 2026, como anunciado por Lula no último dia 12 de dezembro, tenta "seduzir as igrejas evangélicas", embora seja católico, como sublinha Le Monde.


“Deus”, ‘fé’ e ‘milagre’: há vários meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem multiplicando as referências à religião em seus discursos, publica o diário francês no início do texto, lembrando que em 16 de setembro, o chefe de Estado brasileiro instituiu o “Dia do Pastor Evangélico” e, um mês depois, em 15 de outubro, o “Dia Nacional da Música Gospel”. Le Monde cita a imprensa brasileira para especular sobre o fato de Lula também estar considerando a possibilidade de nomear um evangélico para o governo, em uma reforma ministerial que ele planejaria para 2025.

Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva – Foto de arquivo © Adriano Machado/Reuters

“Embora seja católico, Lula não se converteu ao evangelismo: essas medidas fazem parte de uma estratégia política”, explica o jornal Le Monde, contextualizando que essas comunidades, que representam um terço da população brasileira, de acordo com um estudo de 2020 do instituto Datafolha, são esmagadoramente a favor do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Le Monde lembra ainda que no período que antecedeu as eleições municipais de outubro, o Partido dos Trabalhadores elaborou um manual com instruções para candidatos e ativistas do partido sobre como “dialogar” com os evangélicos, desencorajando, por exemplo, tratar todos os crentes como “fundamentalistas”.

“Para os líderes religiosos, o presidente Lula ‘deveria dialogar mais com as pequenas e médias igrejas’ para promover seu histórico social entre a “base” evangélica”, publica o vespertino francês.

Le Monde entrevistou também Sergio Dusilek, pastor evangélico critico de Bolsonaro, aponta que as políticas governamentais de Lula, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, são particularmente benéficas para os evangélicos e lembra ainda que de acordo com uma pesquisa de 2020 do instituto Datafolha, 48% dos evangélicos ganham menos de R$ 2.640 reais por mês.

Na lista dos nomes avaliados no Planalto para ocupar uma vaga no primeiro escalão estão a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) e a deputada Benedita da Silva (PT-RJ). A petista já foi ministra de Assistência e Promoção Social de 2003 a 2004, no primeiro mandato de Lula. Agora, um dos ministérios na mira dos evangélicos é o do Desenvolvimento Social, que abriga o programa Bolsa Família – vitrine do governo – e hoje está nas mãos do senador licenciado Wellington Dias (PT).

Na cerimônia no Palácio do Planalto, o deputado Otoni de Paula, orou por Lula. Parlamentar ressaltou que o presidente era acusado de querer fechar igrejas – Foto: Ricardo Stuckert/PR

Apesar desta perspectiva, o presidente da Frente Parlamentar Evangélica, Silas Câmara (Republicanos-AM), disse não ter qualquer compromisso com o Planalto. “O que existe hoje é um diálogo normal. Mas conversar só não adianta. O governo precisa mudar suas atitudes”, afirmou ele.

Para o deputado, resoluções sobre educação infantil e nota técnica sobre aborto legal, ainda que derrubadas, indicam haver áreas do governo que trabalham “desconectadas” com o desejo manifestado por Lula de se aproximar dos evangélicos.

“Essas pessoas não devem atribuir a Deus a melhoria de suas condições de vida”, diz o pastor, entrevistado por Le Monde.

Nas eleições anteriores, Bolsonaro liderava as intenções de voto entre os evangélicos. Segundo a pesquisa, o presidente teria 49% contra 32% de Lula, 17 pontos de diferença.