Aliviada pela premiação, Rayssa contou que estava muito nervosa antes de se apresentar. “Acho que foi o campeonato em que mais fiquei nervosa. Eu cheguei no treino, dei minhas manobras, já sabia o que tinha que dar, mas acabei, na hora, errando duas manobras simples. Na pista, eu comecei a me cobrar bastante, coisa que não precisava, porque era só eu me divertir, coisa que entendi depois. Tipo que era só colocar o sorriso no rosto mesmo”, disse a atleta.
A arena da Praça da Concórdia voltou a ficar lotada por uma torcida brasileira barulhenta e orgulhosa de seu maior talento no skate, na fase final das competições olímpicas da modalidade street. Neste tipo de competição, cada atleta faz duas passagens de 45 segundos na pista e mais cinco manobras individuais. Nesta edição olímpica, o sistema de pontuação do skate street contabiliza obrigatoriamente a melhor volta da atleta (entre duas tentativas) e suas duas melhores manobras (das cinco chances).
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Rayssa passou muito bem na primeira rodada, ao som de funk carioca, ficando à frente no placar, até ser ultrapassada pela japonesa Coco Yoshizawa. Na segunda rodada, ela acertou o corrimão, mas cometeu pequenas falhas de finalização nos demais obstaculos. Ela ocupava a quinta colocação ao final desta etapa.

Apoio de torcida jovem e feminina
A fascinação por Rayssa Leal atrai mesmo quem nunca foi fã de skate, como a gaúcha Nayara Bueno. “Não acompanho esportes radicais, mas queria vir porque ela é um amor, tão querida”, disse em entrevista à RFI. “Ela é um estimulo para as nossas adolescentes, sobre as escolhas que elas fazem e uma inspiração ao esporte”, acrescenta sobre a admiração à jovem atleta brasileira de 16 anos.
Questionada pela reportagem da RFI sobre que mensagem ela tinha para adolescentes da mesma idade, Rayssa disse que sonhou muito com esse momento, todos os dias. “Se você pode sonhar, você pode realizar, independentemente se quiser seguir uma carreira de esportista ou médico, ou qualquer outro tipo de coisa”, explicou. “É realmente sonhar e dar o seu melhor”, recomendou a medalhista e estudante.
A produtora de eventos Marilia Wey destaca o “poder feminino” no skate. “Surreal ver as meninas dominando a cena e tão novas”, destaca, numa competição em que a media de idade é de 14 anos.
“A gente esta aqui para prestigiar as ‘minas’” diz Leticia Latte, usando uma gíria comum no mundo dos esportes urbanos. “É maravilhoso a gente ter mais atletas mulheres do que homens pelo Time Brasil nesta edição”, acrescenta a arquiteta paulistana, enrolada numa bandeira brasileira.
Na segunda parte da competição, cada atleta escolhe uma manobra para apresentar. Rayssa, que estava então na sétima posição acertou a técnica e fez uma excelente segunda passagem no corrimão, voltando para o topo do placar, na segunda posição em contagem de pontos, atrás apenas da japonesa Akama Liz, uma das favoritas, assim como a australiana Chloe Covell.
Porém, num torneio com tantas estrelas, foi difícil manter a posição. Ao final da quarta manobra individual, Rayssa estava na quinta posição, com 164.54 pontos. Antes da última tentativa de subir ao pódio, ela pediu o apoio da torcida e acertou um “flip front board”, que a levou à terceira posição, com 253.37 pontos. Quando a australiana Chloe Covell, a chinesa Chenxi Cui e a japonesa Akama Liz caíram em suas últimas manobras, o pódio ficou mais perto para Rayssa.

A brasileira terminou a competição em terceiro lugar, com 253.37 pontos. A prata ficou com a japonesa Lais Akama com 265.95 pontos e o ouro com a também japonesa Coco Yoshizawa, que alcançou 272.75 pontos.
As brasileiras Pâmela Rosa e Gabriela Mazetto não conseguiram terminar entre as oito melhores da fase classificatória e foram eliminadas.
