O governo demitiu os dois servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) presos durante operação da Polícia Federal (PF), nessa sexta-feira (20), suspeitos de espionagem ilegal. Os desligamentos de Eduardo Izycki e Rodrigo Colli constam em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) e são assinados pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa.
Eles foram retirados de seus cargos de inteligência por improbidade administrativa e após a polícia ter constatado que os dois participavam da gerência de uma sociedade privada e exerciam comércio — o que é proibido pela legislação brasileira para aqueles que ocupam cargo de oficial na Abin.
Continua depois da Publicidade
Os dois são investigados pela polícia por usar ilegalmente um sistema de monitoramento da agência para espionar adversários políticos do então presidente Jair Bolsonaro. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), jornalistas, juízes e advogados constam na lista de alvos da prática criminosa.
Ao longo da manhã, vinte e cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em quatro estados — Goiás, Paraná, São Paulo e Santa Catarina — e no Distrito Federal. Entre os alvos estava Caio César dos Santos Cruz, filho do general Carlos Alberto Santos Cruz, que ocupou a chefia da Secretaria de Governo de Bolsonaro.

Foto: reprodução
Caio César, aliás, é apontado pela Polícia Federal como o representante do grupo israelense do qual a Agência Brasileira de Inteligência adquiriu o FirtsMile.
Esse sistema, adquirido durante o governo Michel Temer, permitia a geolocalização de celulares e deveria ser usado mediante autorização judicial. Entretanto, o programa espião foi operado ilegalmente durante a gestão do diretor Alexandre Ramagem, aliado de Bolsonaro e hoje deputado federal eleito pelo Partido Liberal.
Após a operação da Polícia Federal, a Abin informou em nota que colabora com a corporação para identificar os responsáveis pelas ilegalidades praticadas.
A agência declarou que, além dos dois presos, outros cinco servidores citados na investigação foram afastados de suas funções.
O órgão argumentou ainda que a corregedoria interna conduziu uma investigação própria para identificar as operações irregulares realizadas com o FirtsMile.
Santos Cruz diz que não há “ilegalidade“ em trabalho de filho alvo da PF
O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL), saiu em defesa do filho, um dos alvos da operação da Polícia Federal que apura o suposto monitoramento ilegal feito por servidores Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Ex-ministro da Sec. de Governo, general Santos Cruz – Foto: reprodução
De acordo com o militar, “não houve qualquer ilegalidade” no trabalho de Caio Cesar dos Santos Cruz, representante da empresa israelense Cognyte, que vendeu o sistema FirstMile para o governo federal no fim da gestão Michel Temer.
Caio César foi alvo de busca e apreensão e prestou depoimento por cerca de uma hora e meia à Polícia Federal.
Em nota enviada na noite de sexta-feira (20), o general disse ter sido surpreendido pela operação da PF e afirmou que o filho ainda não teve acesso ao inquérito.
Santos Cruz disse ainda confiar nas investigações e na Justiça.
