Música

A frase que supostamente marcaria o fim dos Beatles completa hoje 56 anos, “Nós somos mais populares do que Jesus”


No dia 4 de março de 1966, John Lennon causou a maior polêmica de sua carreira envolvendo os Beatles. Durante uma entrevista ao jornal britânico Evening Standard, Lennon disse que os Beatles eram mais populares do que Jesus Cristo.

A frase completa: “O cristianismo vai desaparecer e perder a relevância. Isso é indiscutível, o tempo irá provar que estou certo. Nós somos mais populares do que Jesus neste momento. Eu não sei qual será o primeiro a acabar – o rock ‘n’ roll ou o cristianismo. Jesus até que era legal, mas seus seguidores eram burros e vulgares”. Depois da declaração, algumas estações de rádio dos EUA pararam de tocar músicas dos Beatles. Além disso, seus discos foram queimados em público.

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A polêmica ultrapassou as fronteiras estadunidenses. Na Cidade do México teve inicio uma forte manifestação contra os Beatles, e na sequencia, vários países proibiram execução de músicas da banda em estações de rádio. O Vaticano se pronunciou por meio de nota condenando os comentários de John Lennon.

Logo após a controvérsia, Lennon pediu desculpas pelo comentário e disse que foi mal interpretado, e que estava simplesmente fazendo um comentário sobre como as pessoas viam a popularidade da banda. “Não sou contra Deus, nem anticristo, nem contra a religião”, afirmou.

Lennon foi assassinado em 8 de dezembro de 1980 por Mark Chapman, que havia se tornado cristão em 1970 e ficou enfurecido com a observação do músico sobre ser “mais popular que Jesus”, chamando-a de blasfêmia.

Corrigindo um ERRO histórico.

Ao se deparar com publicações do tipo acima, o historiador musical, Marco Antonio Ribeiro enviou nota ao Portal Cinco descrevendo “a verdade dos fatos” que ele revela estar disponível “a quem se propões estudar mais profundamente o assunto” que sempre denigriu a banda e o próprio John, como segue:

“Pois é…sai muita coisa errada nas publicações de internet porque não tomam cuidado de pesquisar. Se os redatores tivessem, pelo menos, assistido a série Anthology, dos anos 90, já iriam perceber o equívoco.

John Lennon de fato disse isso, mas explicou, segundo ele, “mais de 800 vezes, que não tinha nada contra o cristianismo nem contra Jesus. Mencionou que usou um parâmetro para demonstrar a popularidade dos Beatles e que poderia usar coisas como televisão ou futebol da mesma forma.

A banda acabou por conta de várias coisas. George não tinha espaço pra suas canções, Paul estava cada vez mais perfeccionista e não concordava com a entrada de Alan Klein como empresário da banda (contratado por John), Ringo se sentia desprestigiado (inclusive, ele foi o primeiro a deixar o grupo…depois voltou) e John estava cansado de estar em um grupo e queria fazer algo solo, com influência da vanguarda de Yoko.

Esse episódio do comentário nem fez cócegas. Mas é muito utilizado pelas igrejas até hoje.

Quanto a Mark Chapman,  ele era (é) doente mental. Ele acreditava SER John Lennon…tanto que ele fez parte de uma banda e até namorou uma japonesa, só pra ficar mais parecido com John. Chegou um tempo em que ele decidiu que “o mundo não precisa de dois John Lennons” e eliminou um.

Lembrei até de um dia que fui a um culto e o pastor citou a canção Imagine como blasfêmia por conta do verso “nothing to kill pra die for and no religion too”… Isso porque ele não conhecia a canção GOD, em que Lennon menciona que não acredita em uma penca de coisas, como budismo, Beatles, Elvis, Dylan, bíblia, tarô, Hitler e Jesus….isso dentro do contexto da canção em que ele mencionava que só acreditava em Yoko e nele, reforçando o relacionamento deles…e ainda usa a frase Dream is Over, que até hoje tem gente que diz que se refere a nunca mais tocar com os Beatles….afff” finalizou, Marco Antonio Ribeiro.

Marco Antonio Ribeiro é historiador musical e apresentador do programa Made In Brazil

Fonte: Redação Portal CINCO