Em meio a tensões diplomáticas com os Estados Unidos e críticas crescentes à postura brasileira na América Latina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a demonstrar apoio à Venezuela. Durante um congresso do PCdoB, em Brasília, Lula defendeu o princípio da soberania nacional, afirmando que “não é nenhum presidente de outro país que tem de dar palpite de como vai ser a Venezuela”.
A fala, vista como uma referência direta a denúncias sobre operações da CIA contra Nicolás Maduro, marca mais um capítulo de uma relação política de mais de uma década. Desde 2013, quando Maduro assumiu o poder após a morte de Hugo Chávez, Lula tem se posicionado de maneira consistente — ainda que com variações de tom — a favor do regime chavista.
Continua depois da Publicidade
Enquanto critica pontualmente episódios de repressão ou instabilidade, Lula evita classificar o regime venezuelano como ditadura. Em diversas ocasiões, o presidente brasileiro relativizou denúncias da ONU, questionou sanções internacionais e se omitiu em momentos decisivos, como na inabilitação da opositora María Corina Machado.
O padrão se repete: discursos moderados quando há pressão externa, seguidos de ações concretas que mantêm e reforçam a parceria com Caracas.
A seguir, confira uma lista com 20 episódios marcantes que ilustram como Lula tem blindado o regime de Nicolás Maduro ao longo dos anos — seja por meio de silêncio estratégico, apoio explícito ou discursos relativizadores.
🔹 Bloco 1: Apoio Inicial e Silêncio (2013–2019)
-
2013 – Apoio à candidatura de Maduro
“Maduro presidente é a Venezuela que Chávez sonhou”
→ Lula legitima Maduro como sucessor do chavismo. -
2017 – Silêncio sobre a dissolução do Parlamento
Nenhuma crítica à ruptura institucional promovida por Maduro. -
2019 – Críticas ao apoio internacional a Guaidó
“Reconhecer Guaidó é pouca vergonha”
→ Lula se alinha contra a comunidade internacional.
🔹 Bloco 2: Retorno ao Poder e Reforço da Aliança (2023)
-
2023 – Reatamento diplomático
Lula normaliza relações com o regime venezuelano. -
Maio 2023 – Recepção com honras a Maduro em Brasília
Encontro com subida simbólica da rampa do Planalto. -
Maio 2023 – “Vítima de narrativa”
Lula relativiza violações dos direitos humanos: “Narrativa contra a Venezuela”. -
Maio 2023 – Incentivo à propaganda chavista
“Sua narrativa será melhor que a deles”. -
Maio 2023 – Sanções comparadas à guerra
“Bloqueio é pior que guerra” – responsabiliza sanções pela crise humanitária. -
Junho 2023 – Democracia como conceito relativo
“Democracia é relativa” – minimiza autoritarismo chavista.
🔹 Bloco 3: Omissões Estratégicas e Manobras Verbais (2024)
-
Julho 2023 – Ignora caso María Corina Machado
“Não conheço os pormenores”. -
Julho 2024 – Abstenção na OEA
Brasil evita condenar Maduro em resolução decisiva. -
Março 2024 – Crítica parcial sobre Corina Yoris
Critica falta de “explicação jurídica”, sem condenar o regime. -
Março 2024 – Ironia com María Corina Machado
“Eu também fui impedido de concorrer” – deslegitima oposição. -
Julho 2024 – Reação à ameaça de “banho de sangue”
“Banho de voto” – crítica superficial ao tom de Maduro. -
Julho 2024 – Negação de fraude eleitoral
“Não tem nada de anormal” – minimiza denúncia da oposição. -
Agosto 2024 – Exige explicações, mas recua
Cobra transparência e depois silencia. -
Agosto 2024 – “Regime desagradável”
Evita usar o termo “ditadura”: “Tem viés autoritário”. -
Setembro 2024 – Silêncio na ONU sobre Venezuela
Omissão deliberada em discurso internacional.
🔹 Bloco 4: Reconhecimento Tácito e Cooperação (2025)
-
Janeiro 2025 – Embaixadora na posse de Maduro
Lula se ausenta, mas envia representante oficial. -
Março 2025 – Acordo agrícola e terras ao MST
Brasil firma cooperação técnica com regime, no mesmo período em que Maduro entrega terras a movimento social ligado ao PT.
