
Saúde do Governo Lula descartou R$ 108 milhões em vacinas e remédios em 2025 – Foto: Ricardo Stuckert/arquivo
O Ministério da Saúde descartou, em 2025, R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). Deste total, R$ 18,5 milhões correspondiam a produtos ainda dentro do prazo de validade, ou seja, 17,1% do montante total.
Apesar de a quantidade incinerada ter sido menor do que em anos anteriores, o volume ainda é muito superior aos níveis pré-pandemia. Em comparação, o governo Jair Bolsonaro (PL) descartou R$ 601,5 milhões em todo o seu mandato; já nos três primeiros anos da gestão Lula (PT), o valor chega a R$ 2 bilhões, mais de 3 vezes o total do governo anterior.
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Itens de alto valor financeiro e terapêutico foram destruídos
Entre os produtos incinerados estão:
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Medicamentos contra câncer, como blinatumomabe (R$ 141.929,07 a unidade) e brentuximabe vedotina (R$ 88.905,59), usados no tratamento de leucemia e linfomas;
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Vacinas contra dengue e diluentes da tríplice viral;
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Bombas de infusão de fluidos hospitalares e kits completos para monitoramento de glicose, com validade até 2050;
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Medicamentos para doenças raras, insumos hospitalares e anticorpos monoclonais.
A pasta justifica a incineração por cinco motivos principais: flutuações na demanda, aquisições judiciais, mudanças epidemiológicas, atualização de protocolos de tratamento e avarias nos produtos. O ministério afirma que todos os itens incinerados por não conformidade técnica são repostos ou ressarcidos.

Foto: MPTO
Comparação histórica de descartes
| Ano | Gestão | Total incinerado |
|---|---|---|
| 2023 | Lula (PT) | R$ 1,3 bilhão |
| 2024 | Lula (PT) | R$ 490 milhões |
| 2025 | Lula (PT) | R$ 108,4 milhões |
| 2019-2022 | Bolsonaro (PL) | R$ 601,5 milhões (total do mandato) |
O ministério aponta que a taxa de incineração em 2025 foi de 1,48% do estoque, com meta de redução para 1% em 2026.
Controle e auditoria
Após a divulgação dos dados, a Controladoria-Geral da União (CGU) realizou auditoria e identificou falhas no controle de estoques. Entre as recomendações estão:
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Definição de limites e percentuais de perda aceitáveis;
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Aprimoramento de sistemas de monitoramento e registro de perdas;
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Procedimentos para entregas descentralizadas;
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Monitoramento dos estoques em estados e municípios;
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Estudo logístico sobre validade mínima e tempo de entrega por estado.
O ministério afirma que todas as medidas já foram implementadas ou estão em fase final de execução.
Segundo a pasta, a incineração de vacinas e medicamentos não representa desperdício, pois atende a normas sanitárias e garante ressarcimento aos cofres públicos. Itens judicializados, devolvidos por pacientes ou pela Justiça, não podem ser reintegrados ao estoque de acordo com a RDC Anvisa nº 430/2020.
Com informações: Metrópoles/Coluna Tácio Lorran
