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Mensagens investigadas pela PF mostram Roberta Luchsinger chamando Lulinha de “sócio”

Diálogos de 2023 e 2024 fazem referência a Fábio Luís Lula da Silva; registros não comprovam, por si só, a existência de sociedade formal entre os dois.


Foto: Reprodução

Mensagens e áudios atribuídos à empresária Roberta Luchsinger mostram que ela se referiu a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, como “sócio” em diferentes conversas mantidas entre 2023 e 2024. Os registros, divulgados nesta quinta-feira (17), fazem parte do conjunto de informações que vem sendo analisado no contexto das investigações relacionadas ao chamado “Careca do INSS”.

As conversas foram obtidas pelo portal Metrópoles e mostram Luchsinger utilizando o termo “sócio” ao mencionar Lulinha em diferentes situações. Em uma das mensagens, ela também faz referência a uma empresa que teria sido formada por ela, Fábio Luís e Fernando Bittar.

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O uso da expressão, entretanto, não comprova isoladamente a existência de uma sociedade empresarial formal entre Luchsinger e Lulinha. A natureza jurídica de eventual relação comercial depende de documentos e de outros elementos que estão sendo analisados pelas autoridades.

Contradição apontada em relação ao depoimento à PF

As mensagens ganharam relevância porque foram divulgadas após o depoimento prestado por Roberta Luchsinger à Polícia Federal, em maio de 2026.

Na ocasião, a empresária reconheceu ser amiga de Lulinha e afirmou que havia apresentado o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ela, porém, negou ter repassado dinheiro a Lulinha e afirmou que sua relação comercial com Antunes estava relacionada à prestação de serviços envolvendo a regulamentação do mercado de canabidiol.

Segundo relatos publicados à época, Luchsinger também declarou que Lulinha não havia prestado serviços relacionados à regulação de canabidiol e, portanto, não teria recebido valores referentes a essa atividade.

A defesa da empresária sustentou que ela foi alvo de acusações indevidas e afirmou esperar o esclarecimento dos fatos ao longo das investigações.

PF investiga relação com negócios de canabidiol

A relação entre Luchsinger, Lulinha e Antônio Carlos Camilo Antunes passou a integrar uma investigação específica da Polícia Federal.

Em julho de 2026, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito para apurar suspeitas relacionadas à atuação de Lulinha e Luchsinger no mercado de canabidiol. Segundo informações divulgadas pela Folha, a PF busca esclarecer se houve tráfico de influência ou outras irregularidades em tratativas envolvendo programas do Ministério da Saúde e uma empresa ligada a Antunes.

Entre os elementos investigados estão contatos com pessoas ligadas ao governo federal e negociações envolvendo medicamentos à base de cannabis medicinal.

Reportagens publicadas em agosto também apontaram que mensagens analisadas pela PF indicariam que Luchsinger dizia falar em nome de Lulinha e discutia percentuais de remuneração relacionados a um projeto de cannabis medicinal que buscava negócios com o governo. Essas informações são objeto de investigação e não equivalem, por si só, a uma conclusão sobre responsabilidade criminal.

Empresária recebeu R$ 1,5 milhão de Antunes

Outro ponto sob investigação são pagamentos feitos por empresas relacionadas a Antônio Carlos Camilo Antunes para uma empresa de Roberta Luchsinger.

Segundo informações reunidas pela Polícia Federal e divulgadas pela imprensa, Luchsinger recebeu R$ 1,5 milhão em parcelas de R$ 300 mil. Uma das mensagens analisadas pelos investigadores registra uma orientação de Antunes para que um operador realizasse uma transferência de R$ 300 mil para uma empresa ligada à empresária.

Em depoimento, entretanto, Luchsinger afirmou que os valores estavam relacionados aos serviços que prestava no setor de canabidiol e negou ter repassado dinheiro a Lulinha.

Viagem a Portugal também entrou nas apurações

A relação entre Lulinha e Antunes também chamou a atenção dos investigadores por causa de uma viagem a Portugal.

Segundo o relato apresentado pela defesa de Luchsinger à época do depoimento, a viagem teria ocorrido para prospecção de negócios relacionados à cannabis medicinal e teria sido paga por Antunes. Luchsinger afirmou que não participou da viagem.

A defesa de Lulinha também já havia reconhecido que o empresário viajou a Portugal a convite de Antunes, mas sustentou que não houve fechamento de contrato com o lobista.

Relação com o escândalo dos descontos do INSS

O caso ganhou maior repercussão porque Antônio Carlos Camilo Antunes é um dos principais nomes investigados na Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

A operação apura um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. Segundo PF e CGU, as entidades investigadas teriam realizado descontos estimados em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, atingindo milhões de beneficiários.

As investigações apuram crimes como organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas oficiais.

Em maio de 2026, uma nova fase da operação levou ao cumprimento de 31 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares em Pernambuco, São Paulo, Paraíba e Distrito Federal.

Investigação sobre Lulinha segue em andamento

A investigação envolvendo Lulinha foi tratada separadamente das apurações centrais sobre os descontos indevidos do INSS. Em julho, a Folha informou que a PF buscava esclarecer especificamente suspeitas relacionadas a negócios de canabidiol e eventual influência sobre órgãos do governo federal.

Em agosto, a Procuradoria-Geral da República pediu ao STF que um dos inquéritos envolvendo Lulinha fosse encaminhado à primeira instância. Segundo informações divulgadas pelo UOL, a manifestação da PGR considerou a ausência, naquele momento, de elementos que vinculassem o caso a recursos públicos desviados ou a autoridades com foro privilegiado.

A tramitação e o alcance das investigações ainda podem mudar conforme a Polícia Federal analise novas mensagens, documentos e movimentações financeiras.

O que está comprovado e o que ainda é investigado

Até o momento, os elementos divulgados publicamente permitem estabelecer que:

  • Roberta Luchsinger e Lulinha mantêm relação de amizade há anos;

  • Luchsinger confirmou ter apresentado Lulinha a Antônio Carlos Camilo Antunes;

  • Luchsinger recebeu R$ 1,5 milhão de valores relacionados a Antunes, segundo informações incorporadas às investigações;

  • Luchsinger afirmou à PF que os pagamentos estavam relacionados a serviços envolvendo o mercado de canabidiol;

  • mensagens analisadas pela PF mostram Luchsinger fazendo referência a Lulinha como “sócio”;

  • a existência de uma sociedade formal entre os dois não é comprovada apenas pelas mensagens divulgadas;

  • a PF investiga se houve tráfico de influência ou outras irregularidades em negócios relacionados ao Ministério da Saúde;

  • Lulinha e sua defesa negam irregularidades.

As investigações continuam, e eventuais responsabilidades criminais dependerão da análise do conjunto de provas e das decisões das autoridades competentes.

Fontes consultadas

Folha de S.Paulo, UOL, CNN Brasil, SBT News, Veja e Agência Brasil.