Justiça

Fraudes no INSS

Mendonça mantém prisão do “Careca do INSS” sob análise e defesa fala em pressão por delação

Empresário continua detido em meio à Operação Sem Desconto; PF amplia apurações sobre fraudes no INSS, mesadas e suposto vínculo com filho do presidente Lula. Pedido de soltura está parado no STF há mais de 30 dias.


Ex-funcionário do Careca do INSS detalha relação do lobista com Lulinha, filho do presidente Lula – Foto: Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, rejeitou recentemente o pedido de revogação da prisão preventiva do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, mantendo-o detido no âmbito das investigações sobre um esquema de fraudes bilionárias envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão do ministro, tomada em 27 de janeiro de 2026, citou risco de fuga, indícios de lavagem de dinheiro e complexidade das operações financeiras suspeitas como fundamentos para a manutenção da prisão.

Camilo Antunes está detido desde setembro de 2025, após ser alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões previdenciárias com prejuízo estimado em até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

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A defesa do empresário alega que o pedido de soltura — protocolado pela equipe jurídica — está parado no STF há semanas e que a demora na análise seria uma forma de pressionar o “Careca do INSS” a fechar um acordo de delação premiada, tese que seus advogados descartam veementemente, afirmando que ele pretende apenas comprovar a licitude de suas transações.

Investigações se expandem e envolvem familiares e aliados

Na última fase da operação, agentes da PF e da Controladoria-Geral da União cumpriram 16 mandados de prisão preventiva e 52 de busca e apreensão em diversos estados e no Distrito Federal. Entre os presos está o filho de Camilo, Romeu Carvalho Antunes, apontado pela polícia como um possível sucessor operacional no esquema após a exposição pública do pai.

O caso também ganhou impacto político com apurações que apontam menções a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conjuntos de informações recolhidas pela PF. A polícia afirma que valores mensais da ordem de R$ 300 mil teriam sido pagos a empresas ligadas à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, e que uma testemunha mencionou quantias atribuídas ao filho do presidente, embora ele não seja formalmente acusado na investigação.

Outros desdobramentos e apurações paralelas

As apurações sobre o esquema envolvendo o “Careca do INSS” também incluem relatos de que o empresário seria o “dono de fato” de uma entidade associativa suspeita de realizar descontos indevidos em aposentadorias, movimentando dezenas de milhões em recursos desviados — alvo da quinta fase da Operação Sem Desconto.

Em Brasília, a investigação se estende a politicamente expostas, com pedidos de medidas cautelares contra Lulinha apresentados ao STF pela bancada do Partido Novo, incluindo a solicitação de apreensão do passaporte do empresário no âmbito das apurações.

O caso segue em andamento no Supremo, com a defesa aguardando a análise de recursos e pedidos de revogação de prisões, enquanto a PF, a PGR e a CPMI do INSS aprofundam a coleta de evidências e depoimentos.