
Mauro Campbell Marques será membro do CNJ no biênio 2024-2026 – Foto: Gustavo Lima/STJ
O ministro amazonense Mauro Campbell Marques assumiu, na noite desta quarta-feira (19), a vice-presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A solenidade, realizada em Brasília, também marcou a posse de Luis Felipe Salomão como presidente da Corte para o biênio 2026-2028.
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A nova direção foi eleita pelo Pleno do STJ em abril, por unanimidade. Com a mudança, Salomão sucede o ministro Herman Benjamin na presidência, enquanto Campbell passa a ocupar a vice-presidência que era exercida pelo próprio Salomão. Os dois também assumem o comando do Conselho da Justiça Federal (CJF).
A cerimônia reuniu autoridades dos três Poderes e representantes da comunidade jurídica. Entre os amazonenses presentes estavam o governador Roberto Cidade, o prefeito de Manaus, Renato Junior, o senador Eduardo Braga, o advogado Marco Aurélio Choy e o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti.
Simonetti participou da solenidade e destacou a importância da nova direção para o Judiciário brasileiro. Segundo o presidente da OAB Nacional, a chegada de Salomão e Campbell ao comando do STJ representa a continuidade da atuação institucional da Corte e abre uma nova etapa para o sistema de Justiça.
Trajetória no Amazonas
Natural de Manaus, Mauro Campbell chegou ao STJ após construir uma carreira de mais de duas décadas no Ministério Público do Amazonas (MPAM), instituição que comandou por três mandatos. Antes de ingressar no tribunal, atuou como promotor e procurador de Justiça e ocupou os cargos de secretário de Justiça e de Segurança Pública do Amazonas.
Campbell ingressou no Ministério Público amazonense em 1987 e chegou ao Superior Tribunal de Justiça em 2008, em vaga destinada ao Ministério Público. Ao longo da carreira no STJ, integrou a Segunda Turma e a Primeira Seção, órgãos especializados em Direito Público, além de atuar como membro titular do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), corregedor-geral da Justiça Federal e diretor da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam).
O ministro também participou de trabalhos relacionados à modernização da administração pública. Presidiu comissão do Senado encarregada de apresentar propostas de desburocratização da administração pública brasileira e coordenou o grupo responsável pela elaboração de um anteprojeto de reforma da Lei de Improbidade Administrativa.
Formado em Ciências Jurídicas pelo Centro Universitário Metodista Bennett, no Rio de Janeiro, Campbell é autor de livros e artigos sobre temas como Direito Administrativo Sancionador, Processo Civil e Direito Tributário.
Atuação recente no CNJ
Antes de assumir a vice-presidência do STJ, Campbell exerceu a função de corregedor nacional de Justiça no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele assumiu o cargo em setembro de 2024 para o biênio 2024-2026, sucedendo justamente Luis Felipe Salomão.
Durante a passagem pela Corregedoria, Campbell participou de ações de fiscalização e de iniciativas voltadas à eficiência e à segurança jurídica no Judiciário e nos serviços extrajudiciais. Em abril deste ano, por exemplo, afirmou que 41 dos provimentos editados pela Corregedoria no período haviam surgido de demandas identificadas durante inspeções e atividades realizadas nos estados.
Em junho, a Corregedoria também publicou regras nacionais para cadastro, nomeação, monitoramento, remuneração e responsabilização de administradores judiciais envolvidos em processos de recuperação judicial. A medida foi apresentada como parte de uma agenda de modernização e busca por maior uniformidade e transparência.
A substituição de Campbell na Corregedoria Nacional de Justiça foi definida pelo Pleno do STJ em abril. O ministro Benedito Gonçalves foi indicado para o posto e teve sua escolha aprovada pelo Senado em junho, por 53 votos a 16, para o biênio 2026-2028.
Novo papel no STJ
Como vice-presidente, Campbell passa a integrar a direção do Superior Tribunal de Justiça ao lado de Luis Felipe Salomão. O mandato da nova administração vai até 2028.
A escolha dos dois ministros ocorreu em sessão do Pleno do STJ em 14 de abril. Na mesma ocasião, Benedito Gonçalves foi indicado para a Corregedoria Nacional de Justiça, Raul Araújo foi escolhido para a direção-geral da Enfam e Sebastião Reis Júnior passou a dirigir a Revista do STJ.
A chegada de um ministro nascido em Manaus à vice-presidência de uma das principais Cortes do país também mantém em evidência a trajetória de um magistrado amazonense que construiu sua carreira no Ministério Público estadual antes de alcançar a cúpula do Judiciário brasileiro.
