A retirada da dissertação de mestrado da jornalista Paula Litaiff do repositório da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) reacende o debate sobre ética profissional e responsabilidade jornalística. Fundadora da Revista Cenarium — veículo que se apresenta como defensor das causas indígenas — Litaiff agora enfrenta sérias acusações de manipulação de informações e uso indevido de fontes em seu trabalho acadêmico.
A dissertação, apresentada em 2025 no Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA/UFAM), trata da chamada “violência simbólica de gênero” no Parque das Tribos. No entanto, o conteúdo provocou reações contundentes da própria comunidade retratada. O cacique Ismael Munduruku, citado como agente de práticas abusivas, refutou as alegações publicamente. A principal fonte da pesquisa, a indígena Maira Mura, também negou ter feito as declarações atribuídas a ela no texto.
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Denúncias de distorções e ausência de rigor ético
A defesa de Ismael Munduruku apontou uma série de falhas no trabalho de Litaiff: distorção de depoimentos, violação da Convenção 169 da OIT, ausência de pluralidade de vozes e uso seletivo de fontes. Em resposta, a UFAM determinou a retirada do vídeo da defesa da dissertação como medida cautelar, reconhecendo a gravidade das denúncias e a necessidade de proteção às lideranças indígenas envolvidas.
Credibilidade em risco
A repercussão do caso lança uma sombra sobre a reputação de Paula Litaiff enquanto jornalista e gestora da Revista Cenarium. Conhecida por sua atuação em pautas progressistas e em defesa dos povos originários, a jornalista agora é questionada por supostamente instrumentalizar o discurso de proteção indígena para interesses pessoais ou narrativas previamente estabelecidas.
A postura apresentada na dissertação contrasta com a imagem pública construída ao longo dos anos. Líderes indígenas, como Ismael Munduruku, destacam que suas ações em favor das mulheres da comunidade foram ignoradas no trabalho acadêmico, que optou por um recorte parcial e polêmico. Essa seletividade reforça dúvidas: a Revista Cenarium, sob sua direção, está realmente comprometida com o jornalismo ou se tornou veículo de promoção pessoal?
Quem fiscaliza quem se diz fiscalizador?
A questão vai além da universidade. Torna-se uma pauta pública: pode alguém que manipula fontes em um contexto acadêmico ser considerado porta-voz legítimo de causas sociais? A credibilidade jornalística está diretamente atrelada à coerência entre discurso e prática — e, neste caso, a coerência parece ter sido comprometida.
Enquanto a UFAM analisa os próximos passos, a sociedade aguarda respostas claras. A verdade, quando negligenciada, cobra um preço alto. E no caso de Paula Litaiff, ele pode ser a perda da confiança pública.
