
Foto: Reprodução
Em um depoimento polêmico à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Antônio Carlos Camilo Antunes, o empresário conhecido como “Careca do INSS”, se defendeu das graves acusações sobre um suposto esquema de desvio de recursos da folha de pagamento dos aposentados. Durante a sessão desta quinta-feira (25), Antunes apresentou uma série de explicações inusitadas, tentando desconstruir as alegações contra ele.
Antunes, que rejeitou o apelido de “Careca do INSS”, argumentou que a narrativa criada pela mídia e adversários políticos é infundada e que ele foi alvo de uma “campanha de desinformação”. “Nunca fui esse personagem fictício”, afirmou, aludindo ao rótulo que surgiu após a divulgação do escândalo de fraudes, investigado por Eli Cohen, advogado que ajudou a expor o caso.
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Encontros com Políticos e Uso de Cannabis
Um dos pontos mais controversos do depoimento foi um almoço ocorrido na residência do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que Antunes classificou como uma “mera coincidência”. Segundo o empresário, o encontro teve como tema principal o uso de medicamentos à base de cannabis, e não questões políticas, como sugerido em algumas investigações. “Eu estava tratando de questões de saúde. À época, representava uma marca internacional de produtos à base de cannabis”, explicou, acrescentando que conheceu uma assessora do senador em um evento da Polícia Rodoviária Federal sobre autismo, o que deu origem à aproximação.
Carros de Luxo: Paixão Pessoal ou Ocultação de Bens?
Outro ponto de questionamento foi a apreensão de 14 carros de luxo, avaliados em mais de R$ 6 milhões, em operação da Polícia Federal. Antunes negou qualquer envolvimento em esquemas de ocultação de bens, alegando que esses veículos fazem parte de sua empresa de locação e comércio de automóveis. “Eu gosto de carros, gosto de máquinas”, declarou, refutando as alegações de que os veículos seriam usados para lavagem de dinheiro. O empresário também comentou sobre uma Ferrari, avaliada em R$ 4 milhões, apreendida em Brasília, e afirmou que a presença do carro estava relacionada ao interesse de seu filho de 21 anos, que se aproximou devido ao seu fascínio por automóveis de luxo.
Ambec e o Conflito de Interesses
Em relação à sua atuação como procurador da Ambec (Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos), Antunes foi enfático em negar qualquer envolvimento nas irregularidades da entidade, que teria movimentado R$ 499 milhões e registrado um aumento drástico no número de associados. Questionado sobre as procurações que lhe deram poderes para negociar com o INSS, Antunes afirmou que esses documentos apenas facilitavam questões burocráticas e não lhe conferiam controle sobre a entidade. “Eu sou do setor privado, vendo produtos e serviços”, disse.
Acusações de Lavagem de Dinheiro e Contradições
O empresário também foi questionado sobre suas relações com Rubens Oliveira Costa, outro investigado no esquema. Antunes negou que tenha recebido valores suspeitos e reforçou que todas as suas transações financeiras foram realizadas de maneira legal e documentada. No entanto, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) apresentou documentos que contradiziam as declarações de Antunes, comprovando que ele possuía amplos poderes dentro da Ambec, incluindo a autoridade para assinar acordos e acompanhar processos relacionados à entidade.
Em resposta, Antunes manteve sua versão de que esses documentos tratavam apenas de questões operacionais e que a responsabilidade sobre a fiscalização dos acordos era da própria Ambec.
Reações e Expectativas
Após o depoimento, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), indicou que o caso ainda está longe de ser encerrado. “Todos os depoentes podem ser convocados novamente, caso novas provas surjam”, afirmou. O relator da comissão, Alfredo Gaspar (União-AL), criticou duramente Antunes, acusando-o de mentir durante o depoimento e reafirmando sua convicção de que o empresário estava no centro de um esquema de desvio de recursos dos aposentados. “Ele está no epicentro do maior roubo aos aposentados e pensionistas do Brasil”, declarou Gaspar.
Enquanto isso, o depoimento de Antunes seguiu gerando controvérsia, com parlamentares divididos entre aqueles que acreditam na versão do empresário e os que veem nas suas respostas uma tentativa de encobrir um esquema maior de corrupção. O caso segue sendo investigado pela CPMI e pela Polícia Federal.
