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Vítima da COVID, Sérgio Mendes morre aos 83 anos

Sérgio Mendes, músico e compositor, teve álbuns e singles no top 10 norte-americano, ganhou Grammys e foi indicado ao Oscar. Mendes ajudou a popularizar a bossa nova e o samba fora do Brasil, morreu na quinta-feira (05-06) em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde morava.


Sérgio Mendes um dos mais populares músicos brasileiros em todo o mundo, morreu aos 83 anos nesta sexta-feira. Segundo informou a família do pianista, produtor e arranjador, o carioca nascido em Niterói em 1941, que vivia há décadas em Los Angeles, Mendes morreu após contrair a COVID-19 persistente.

Em uma carreira de mais de seis décadas, Mendes alcançou um sucesso reservado para poucos atingindo o top 10 da Billboard, tanto de álbuns quanto de singles, ganhando três Grammys, sendo dois latinos, e ganhando uma indicação ao Oscar.

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A popularidade de Mendes no exterior fez com que ele sofresse críticas no Brasil – acusações de que ele estria pasteurizando a música do Brasil para atingir o grande público dos EUA foram comuns em sua trajetória, mas o tempo acabou lhe fazendo justiça, especialmente quando seus discos são redescobertos a partir dos anos 80 por por DJs, fãs de lounge music e produtores de hip hop.

A morte foi confirmada por sua família, que informou que ele “faleceu em paz”, cercado por sua esposa e filhos.

Sergio Mendes ao lado de Pelé e Elton John durante um jogo de futebol nos EUA

Sérgio Mendes é conhecido por regravações de sucessos como Mas Que Nada, de Jorge Ben Jor, e The Fool On The Hill, dos Beatles.

Ele gravou mais de 35 álbuns, muitos dos quais ganharam disco de ouro ou platina nos EUA; e recebeu uma indicação ao Oscar em 2012 por coescrever a música Real in Rio do desenho animado Rio.

Ator de ‘Star Wars’ tem ligação comovente com Sérgio Mendes antes da fama mundial

Estrela de Hollywood trabalhou como carpinteiro para Sérgio Mendes

Você pode até conhecer esse ator como um mercenário espacial ou um arqueólogo destemido, mas o que muita gente esquece é que, antes de ser reconhecido nas telas, ele teve uma carreira bem mais humilde e surpreendente. Estamos falando de alguém que, no auge dos anos 70, pegava ferramentas e madeira para ganhar a vida como carpinteiro. E foi justamente nessa fase que seu caminho cruzou com o de Sergio Mendes. Seu nome? Harrison Ford.

O músico brasileiro Sergio Mendes teve uma ajudinha especial para construir seu estúdio em 1970 – Foto: reprodução

Harrison Ford é um ator norte-americano conhecido mundialmente. Harry, apelido entre amigos e familiares, também é piloto de avião e de helicóptero, e é proprietário de uma aeronave. Estudou na Ripon College, em Wisconsin, mas acabou deixando os estudos antes de se graduar.

No Facebook, Mendes postou uma foto da equipe de marceneiros que participou do trabalho e nela aparece, ninguém mais, ninguém menos que Harrison Ford, aos 28 anos, sete anos antes dele conquistar a fama mundial como Han Solo em Star Wars IV: Uma Nova Esperança.

Na época do clique, ele já havia começado na carreira de ator há quatro anos, mas tinha apenas conseguido pontas em séries e filmes de pouca expressão, então se virava como carpinteiro – e dos bons! Muito obrigado, Harrison, que a força esteja com você, agradeceu Sergio.

Black Eyed Peas

will.i.am, um de seus maiores fãs, gravou com ele o disco “Timless” quando os Black Eyed Peas estavam no auge. O álbum ganhou disco de ouro no Reino Unido, chegou no top 50 dos EUA e fez, mais uma vez, de “Mas Que Nada”, canção de Jorge Ben Jor que ele levou para o mundo ainda nos anos 60, novamente um hit global.

Foto: reprodução

Mendes foi um dos pioneiros da bossa nova. Em 1961 ele lançou seu disco de estreia e não demorou muito para começar a excursionar pelo exterior e gravar com grandes nomes do jazz. No ano seguinte ele foi um dos participantes do clássico concerto dedicado à nova música brasileira no Carnegie Hall e, em 1964, logo após o golpe militar, optou por radicar-se de vez nos EUA.

O sucesso de verdade chega quando ele aceita o conselho de seu parceiro de negócios Richard Adler para que gravasse algumas canções em inglês com cantoras norte-americanas. Nascia o Brasil ’66 que lançaria quatro discos de enorme popularidade pela A&M Records, de Herb Alpert.

“Look Around”, de 1967, fica no quinto lugar da Billboard e ganha disco de ouro. “Fool On The Hill” (1968) chega ao número três emplaca dois singles no top 10 com a versão do hit dos Beatles que dá nome ao álbum e “Scarborough Fair”, versão da canção folk inglesa que Simon and Garfunkel popularizaram.

Sérgio continua gravando discos nos EUA e volta a atingir o grande mainstream em 1983, não por acaso quando retorna à A&M, com o álbum “Sérgio Mendes”. É neste LP que está um dos grandes clássicos do pop adulto daquela década, “Never Gonna Let You Go“, composição de Barry Mann e Cynthia Well, autores de inúmeros clássicos do pop sessentista.