
Calores da menopausa — Foto: Getty
O governo do Reino Unido anunciou que passará a disponibilizar gratuitamente pelo sistema público de saúde um novo medicamento para tratar sintomas da menopausa, beneficiando mais de 500 mil mulheres apenas na Inglaterra.
O remédio, chamado Veoza, tem como princípio ativo o fezolinetant e é considerado uma alternativa importante para mulheres que não podem ou não desejam fazer terapia de reposição hormonal.
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Como o medicamento funciona
Diferente dos tratamentos tradicionais, o fezolinetant atua diretamente no cérebro, bloqueando sinais ligados ao controle da temperatura corporal. Isso reduz os chamados sintomas vasomotores — como ondas intensas de calor e suores noturnos — que afetam cerca de 70% das mulheres durante a menopausa.
A menopausa é uma fase natural da vida feminina, geralmente ocorrendo entre os 45 e 55 anos, e pode trazer sintomas que impactam significativamente a qualidade de vida, incluindo insônia, irritabilidade e fadiga.
Avanço na saúde pública feminina
A decisão de incorporar o medicamento ao sistema público britânico, o National Health Service, é vista como um marco na forma como a saúde da mulher madura vem sendo tratada.
Especialistas apontam que, historicamente, a menopausa recebeu menos atenção da indústria farmacêutica e das políticas públicas. Nos últimos anos, no entanto, o tema ganhou mais visibilidade, impulsionado por campanhas de conscientização e pelo envelhecimento da população.
Além disso, a terapia hormonal — considerada padrão para muitos casos — não é indicada para todas as mulheres, especialmente aquelas com histórico de câncer de mama, doenças cardiovasculares ou risco elevado de trombose.
Contexto global e novos tratamentos
O fezolinetant já havia sido aprovado por agências reguladoras importantes, como a Food and Drug Administration, nos Estados Unidos, e por órgãos europeus, após estudos clínicos demonstrarem sua eficácia na redução das ondas de calor.
Pesquisas mostram que o medicamento pode reduzir significativamente a frequência e a intensidade dos sintomas já nas primeiras semanas de uso, com efeitos colaterais considerados leves na maioria dos casos.
Impacto esperado
A inclusão do tratamento no sistema público deve melhorar a qualidade de vida de centenas de milhares de mulheres, além de reduzir impactos indiretos, como afastamentos do trabalho e problemas de saúde mental associados à menopausa.
A medida também pode servir de referência para outros países, incluindo o Brasil, onde o acesso a tratamentos modernos para menopausa ainda é limitado no sistema público.
Especialistas defendem que políticas semelhantes poderiam ampliar o acesso a terapias seguras e eficazes, especialmente para populações mais vulneráveis.
