Internacional

Portugal aprova pacote anti-imigração com impacto direto em brasileiros

Nova legislação restringe entrada, reagrupamento familiar e vistos de trabalho; proposta ainda depende de sanção do presidente Marcelo Rebelo de Sousa.


O Parlamento de Portugal aprovou nesta quarta-feira (16) um pacote legislativo que endurece as regras de imigração, atingindo em cheio a comunidade brasileira — a maior entre os estrangeiros que vivem no país. A nova lei altera regras de entrada, permanência, reagrupamento familiar e concessão de vistos, e agora aguarda sanção do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que tem até 30 dias para se manifestar.

O pacote foi proposto pela Aliança Democrática (AD), coalizão liderada pelos partidos PSD e CDS, e contou com apoio do partido de ultradireita Chega. A Iniciativa Liberal se absteve, enquanto partidos de esquerda votaram contra, alegando que as medidas afetam de forma desproporcional as famílias imigrantes — especialmente brasileiras.

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Principais mudanças aprovadas

  • Entrada de brasileiros sem visto: Foi revogada a norma que permitia a entrada de brasileiros como turistas com posterior pedido de residência em território português.

  • Reagrupamento familiar: Passa a ser permitido apenas após dois anos de residência legal. Apenas menores de 18 anos poderão se legalizar no país por esse critério. Cônjuges e filhos maiores terão que aguardar fora de Portugal, e será exigida comprovação de casamento no país de origem.

  • Visto de trabalho: Fica limitado a profissionais “altamente qualificados”, critério que será definido por órgãos do governo nos próximos meses.

  • Criação da UNEF: Instituída a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras, órgão da Polícia de Segurança Pública responsável por fiscalizar imigrantes e executar deportações.

  • Processos administrativos e judiciais: A nova legislação orienta juízes a considerar as limitações estruturais da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) ao julgar atrasos nos processos de regularização.

Lei da Nacionalidade ainda está em debate

Outro ponto sensível — a proposta de mudança na Lei da Nacionalidade — ainda está em tramitação. O novo texto poderá aumentar o tempo mínimo de residência exigido para solicitar cidadania e prever a perda da nacionalidade em casos de crimes graves.

O tema está sob análise da Comissão de Assuntos Constitucionais da Assembleia e deve ser debatido até o final de setembro. Especialistas e entidades da sociedade civil serão chamados a apresentar pareceres técnicos antes da votação final.

Impacto sobre brasileiros

Com mais de 400 mil brasileiros vivendo legalmente em Portugal, a comunidade pode ser a mais afetada pelas mudanças. As novas regras dificultam o processo de regularização para quem entra como turista, limitam a reunificação familiar e reduzem as chances de legalização por meio de contratos de trabalho convencionais.

Organizações de apoio a imigrantes, parlamentares da oposição e membros da comunidade brasileira já se mobilizam para pressionar o presidente a vetar pontos considerados mais duros da nova legislação.

O debate promete se intensificar nas próximas semanas — tanto em Lisboa quanto em Brasília.