
Governo venezuelano disse que 8,2 milhões de milicianos estão alistados para defender o país das agressões dos EUA – Pedro Mattey/AFP
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou nesta quarta-feira (15) a realização de exercícios militares em favelas da capital e de estados vizinhos, um dia após um ataque dos Estados Unidos a uma embarcação próxima à costa venezuelana que deixou seis mortos.
As manobras ocorreram em áreas densamente povoadas, como Petare — uma das maiores comunidades populares da América Latina —, localizada na região metropolitana de Caracas. Blindados e tropas foram vistos circulando pela comunidade, segundo imagens veiculadas pela emissora estatal.
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Veículo militar em Caracas, capital da Venezuela – Foto: Gaby Oraa /Reuters
“Vamos ativar toda a força de defesa popular, militar e policial”, declarou Maduro por meio de um áudio divulgado em seu canal no Telegram.
O governo chavista classifica a ação americana como parte de uma “campanha de agressão” promovida pelo ex-presidente Donald Trump, que voltou à Casa Branca neste ano. Desde o início da ofensiva, em 2 de setembro, ao menos 27 pessoas morreram em ataques a embarcações na costa caribenha da Venezuela.
O ministro do Interior e figura central do chavismo, Diosdado Cabello, afirmou que a mobilização militar integra uma “ofensiva permanente” contra o que chama de “cerco imperialista”.
Washington justifica os ataques como parte de uma operação contra o narcotráfico. A Casa Branca afirma que os barcos atingidos têm ligações com o grupo criminoso Tren de Aragua, classificado como organização terrorista internacional pelo governo dos EUA.
Além disso, Trump voltou a acusar Maduro de chefiar o chamado Cartel de los Soles, suposta rede de tráfico de drogas operada por militares venezuelanos — alegação que especialistas internacionais contestam por falta de evidências sólidas.
Apesar das justificativas, analistas apontam que o Caribe não é a principal rota do tráfico de drogas para os EUA. Apenas cerca de 10% da cocaína e uma fração mínima do fentanil — substância que lidera os casos de overdose nos EUA — passam pela região, segundo dados oficiais.
Maduro nega qualquer envolvimento com o narcotráfico e afirma que as acusações americanas são pretextos para justificar uma eventual incursão militar na Venezuela.
