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Oriente Médio

Hamas liberta 20, dos 59 reféns na Faixa de Gaza após mais de dois anos de guerra

Israel celebra a libertação de 20 prisioneiros israelenses, enquanto a comunidade internacional vê a libertação como um passo crucial para a paz na região.


Israelenses comemoram a libertação de reféns mantidos pelo Hamas, na Praça dos Reféns, em Israel – Foto: Reprodução

O Hamas anunciou a libertação de 20 reféns israelenses na manhã desta segunda-feira (13), quatro dias após o anúncio do acordo de cessar-fogo entre o movimento palestino e Israel. O resgate ocorreu em duas etapas: um grupo de sete reféns foi libertado nas primeiras horas da manhã, e um segundo grupo de 13 pessoas foi entregue às autoridades israelenses por volta das 11h (horário local), com o apoio da Cruz Vermelha Internacional.

Esses reféns foram os últimos sobreviventes capturados durante o ataque de 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra na Faixa de Gaza e resultou na captura de 251 israelenses. A libertação, que ocorreu após quase dois anos de cativeiro, é vista como um marco no cumprimento do plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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Foto: Reprodução

Em Tel Aviv, uma multidão se reuniu na Praça dos Reféns para acompanhar ao vivo o retorno dos prisioneiros. Ao som da música Habayta (“em casa” em hebraico), familiares celebraram o fim de uma longa espera. “Este é um dia bonito. Estávamos esperando por isso há dois anos”, declarou Ronny Edry, professor israelense e pai de um refém.

De acordo com o Fórum das Famílias, associação que representa os parentes dos reféns, os prisioneiros puderam realizar chamadas de vídeo com suas famílias no dia de sua liberação. Contudo, a luta por justiça ainda não terminou: a associação afirmou que continuará buscando a devolução dos corpos dos reféns que perderam a vida durante o cativeiro.

O governo de Israel, por meio de sua porta-voz, informou que um “organismo internacional” deverá ser encarregado de localizar e entregar os corpos dos reféns mortos, uma parte do acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA.

Reações internacionais

Donald Trump (Presidente dos EUA)

Donald Trump, que foi um dos principais mediadores do acordo de cessar-fogo, chegou a Israel logo após a liberação dos reféns e fez declarações públicas afirmando que a guerra “acabou”. Em sua chegada, ele se dirigiu ao Parlamento israelense (Knesset) para discursar sobre a paz, destacando a importância de encerrar o conflito e trazer estabilidade à região. Trump também se dirigirá à cúpula em Sharm el-Sheikh, no Egito, onde copresidirá discussões sobre o futuro de Gaza, com a presença de líderes internacionais e do secretário-geral da ONU.

Essas reações refletem um sentimento global de alívio com a libertação dos reféns, mas também um reconhecimento de que ainda há muitos desafios à frente para alcançar uma paz duradoura e uma reconstrução significativa em Gaza.

Kaja Kallas (Chefe da Diplomacia da União Europeia):

Kaja Kallas parabenizou a libertação dos reféns como “um sucesso importante para a diplomacia” e uma “etapa crucial rumo à paz”. Ela reconheceu o papel fundamental de Donald Trump na viabilização do acordo de cessar-fogo e afirmou que a União Europeia está pronta para contribuir com recursos e ferramentas para garantir o sucesso do plano de paz, incluindo o financiamento da reconstrução de Gaza.

Ursula von der Leyen (Presidente da Comissão Europeia):

Ursula von der Leyen expressou que o retorno dos reféns é “um momento de alegria para as famílias e um alívio para o mundo inteiro”. Ela também afirmou que a União Europeia está comprometida com a ajuda humanitária e com o sucesso do plano de paz, destacando que o bloco está mobilizando fundos para a reconstrução de Gaza e continuará a apoiar o processo de estabilização da região.

O futuro da paz

Enquanto a libertação dos reféns marca um momento de celebração, a paz duradoura ainda está longe de ser alcançada. O plano proposto por Donald Trump prevê a devolução de 48 reféns, vivos ou mortos, e a libertação de prisioneiros palestinos, o que deve ocorrer após a confirmação da devolução de todos os reféns.

O presidente dos EUA também chegou a Israel nesta segunda-feira para um encontro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, antes de seguir para uma cúpula internacional em Sharm el-Sheikh, no Egito, onde líderes de mais de 20 países discutirão os próximos passos para a estabilização da região.

Desafios humanitários em Gaza

Enquanto isso, a situação humanitária em Gaza continua a ser um grande desafio. A cidade, em grande parte destruída pelos conflitos, começa a receber ajuda internacional, com caminhões carregados de suprimentos entrando através do ponto de passagem de Kerem Shalom, no sul de Israel.

Porém, a distribuição da ajuda tem sido dificultada por saques e disputas locais. “Não queremos viver em uma selva. Exigimos que a ajuda seja segura e chegue com respeito pelas pessoas”, afirmou Mohammed Za’rab, um jovem palestino que esperava o recebimento de alimentos e medicamentos.

Próximos passos

A guerra, que já resultou em dezenas de milhares de mortos em Gaza, ainda não tem uma solução definitiva. A retirada gradual das forças israelenses e a exclusão do Hamas da governança da região fazem parte dos próximos passos do plano de paz. A pressão internacional cresce para garantir que os acordos de cessar-fogo sejam cumpridos e que a reconstrução de Gaza, devastada pela guerra, seja uma prioridade.

O presidente americano Donald Trump, ao lado do presidente egípcio Abdel Fattah al-Sissi, irá co-presidir uma cúpula em Sharm el-Sheikh, onde líderes internacionais discutirão o futuro da região. A participação de países mediadores como os EUA, Egito, Catar e Turquia será crucial para garantir a implementação do acordo de cessar-fogo.

Relato dos libertados

Os relatos dos prisioneiros libertados após mais de dois anos de cativeiro na Faixa de Gaza revelam um misto de alívio, trauma e esperança por um futuro de paz. Embora ainda em um estado de choque devido ao longo período de sofrimento e incerteza, muitos dos prisioneiros expressaram profunda gratidão por estarem finalmente reunidos com suas famílias.

Matan Zangauker

Matan Zangauker, um dos prisioneiros libertados, foi filmado em uma chamada de vídeo com sua família logo após a liberação. Ele, visivelmente emocionado, tentou transmitir uma sensação de alívio e felicidade, mas também expressou tristeza pelas pessoas que não retornarão com ele. “Estou feliz de estar de volta, mas meu coração ainda está com os outros, com os que não voltaram”, disse ele.

A luta das famílias por mais liberação de prisioneiros e pela devolução dos corpos daqueles que morreram no cativeiro continua a ser uma preocupação central para os parentes dos reféns, como destacou Matan em suas palavras. Ele também mencionou a conexão emocional que os reféns mantiveram com suas famílias, mesmo durante o período de cativeiro, através de comunicações limitadas, como as chamadas de vídeo.

Nimrod Cohen

Nimrod Cohen, outro prisioneiro libertado, compartilhou sua experiência em um breve vídeo divulgado pelo Fórum das Famílias, onde ele aparece cercado por seus familiares. Ele parecia visivelmente exausto, mas os sentimentos de união e saudade foram palpáveis. Em seu relato, Nimrod descreveu os dias de cativeiro como “uma eternidade”, com longos períodos de incerteza e condições difíceis. No entanto, ao reencontrar seus entes queridos, ele exclamou: “Este é o melhor momento da minha vida. Não há palavras para descrever o que sinto agora”.

Ariel e David Cunio

Ariel e David Cunio, irmãos que também foram libertados, foram filmados em um momento emocionante de reencontro com suas famílias. As imagens mostram os dois homens visivelmente emocionados, chorando enquanto abraçam seus pais. “Eu não achava que veria meus filhos novamente”, disse a mãe de Ariel e David, em um discurso cheio de emoção. Ariel, visivelmente emocionado, expressou alívio, mas também uma sensação de perda. “Eu pensei que isso nunca iria acontecer, mas agora estou com minha família. Ainda assim, meu pensamento está com os outros que não tiveram a mesma sorte”, disse ele.

Relatos do Fórum das famílias de israelenses sequestrados

Todos os prisioneiros do Hamas passaram por tortura severa, extrema escassez de comida e água, falta de cuidados médicos e isolamento prolongado, além do trauma psicológico profundo que muitos deles enfrentam. A Associação de Famílias de Reféns já anunciou que continuará a pressionar pelo retorno dos corpos dos reféns mortos que permanecem nas mãos do Hamas.