
O governo Trump divulgou registros da vigilância do FBI sobre Martin Luther King Jr., apesar da oposição da família do ganhador do Nobel e do grupo de direitos civis que ele liderou até seu assassinato em 1968 – Foto: Reprodução
O governo norte-americano divulgou novos registros federais sobre o assassinato do líder dos direitos civis Martin Luther King Jr., morto em 1968. A liberação dos documentos ocorre após a ordem do ex-presidente Donald Trump para desclassificar arquivos históricos relacionados aos assassinatos de figuras como JFK, RFK e King.
A medida reacende debates sobre possíveis conspirações e o papel controverso do FBI na perseguição a King enquanto ele ainda estava vivo. A família do ativista, incluindo seus filhos Martin Luther King III e Bernice King, pediu cautela na análise dos documentos e enfatizou a importância do contexto histórico.
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Os dois filhos vivos de Martin Luther King Jr. estão pedindo para as pessoas terem cuidado com um conjunto recém-divulgado de registros relacionados ao assassinato de seu pai – Foto: Reprodução
O que dizem os documentos divulgados
Entre os milhares de registros liberados estão relatórios do FBI detalhando uma extensa campanha de vigilância contra King. Os documentos revelam:
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Escutas telefônicas ilegais;
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Monitoramento de quartos de hotel;
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Uso de informantes para desacreditá-lo;
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Ignorância de alertas sobre possíveis ameaças contra sua vida.
Para estudiosos e ativistas, os arquivos trazem mais perguntas do que respostas sobre as circunstâncias que cercaram o assassinato.

Mural do Reverendo Martin Luther King Jr. pintado pelo artista James Crespinel na década de 1990 – Foto: Reprodução
O Caso Martin Luther King Jr.
| Data | Evento |
|---|---|
| 28 ago 1963 | King faz o icônico discurso “Eu Tenho um Sonho” em Washington. |
| 3 abr 1968 | King chega a Memphis e faz o discurso “Mountaintop”. |
| 4 abr 1968 | King é assassinado na sacada do Lorraine Motel, em Memphis. |
| 10 jun 1968 | James Earl Ray é preso em Londres e confessa o assassinato. |
| 1997 | Dexter King visita Ray na prisão e diz acreditar em sua inocência. |
| 1999 | Júri em Memphis conclui que houve conspiração envolvendo agências governamentais. |
| 2024 | Dexter King morre, ainda defendendo a revisão do caso. |
| jan 2025 | Trump ordena desclassificação dos arquivos de JFK, RFK e MLK. |
| 22 jul 2025 | Documentos sobre MLK são liberados ao público. |
Reações da família e especialistas
A Conferência de Liderança Cristã do Sul — organização que King fundou — e sua família tentaram impedir a divulgação por preocupações com privacidade e sensibilidade do conteúdo. Em comunicado oficial, os filhos do ativista pediram que o material fosse analisado com “empatia, moderação e respeito pelo luto contínuo”.
“Esse caso é uma curiosidade pública há décadas, mas é, acima de tudo, uma tragédia pessoal e familiar.” — Martin Luther King III e Bernice King
FBI, conspiração e desconfiança
Apesar de James Earl Ray ter sido condenado como o atirador solitário, muitos, incluindo a própria família King, sempre questionaram a versão oficial. Em 1999, um júri civil reconheceu a existência de uma conspiração, possivelmente envolvendo autoridades.
Especialistas como Lerone A. Martin (Universidade Stanford) e Ryan Jones (Museu Nacional dos Direitos Civis) alertam para o papel ambíguo do FBI. Para eles, é essencial analisar os documentos à luz do comportamento histórico da agência, que sistematicamente tentou descredibilizar King.
Por que agora?
A decisão de Trump é vista com ceticismo por alguns acadêmicos. Há quem diga que a divulgação busca minar instituições como o FBI, ou criar paralelos com a atual onda de violência política nos EUA, incluindo tentativas de assassinato recentes contra Trump.
O que ainda não sabemos
Apesar da expectativa, estudiosos não acreditam que os documentos tragam “provas definitivas” de conspiração governamental. Mas acreditam que eles podem aprofundar o conhecimento sobre o aparato de vigilância que mirava figuras negras proeminentes durante a Guerra Fria.
“Temos que encarar esses arquivos com desconfiança. O mesmo FBI que investigava o assassinato estava grampeando o homem que morreu.” — Lerone A. Martin
E agora?
O debate sobre a verdade por trás do assassinato de Martin Luther King Jr. permanece vivo. Os documentos recém-divulgados, mais do que respostas, reacendem uma pergunta antiga: quem realmente matou o sonho de King — e por quê?
