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Conservadores têm a pior derrota em 100 anos no Reino Unido e extrema direita recua

Os trabalhistas conquistaram uma vitória histórica contra os conservadores nas eleições legislativas realizadas na quinta-feira (4) no Reino Unido. Com pelo menos 412 deputados eleitos na Câmara dos Comuns, segundo os votos contabilizados pela BBC, muito acima da maioria absoluta de 326 assentos do plenário de 650, o líder trabalhista Keir Starmer, 61 anos, será o novo chefe de governo britânico.


O primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, admitiu a derrota nas eleições do Reino Unido durante discurso nesta sexta-feira (5). Ele afirmou que o Partido Trabalhista, de oposição, venceu e pediu desculpas aos colegas conservadores. “Há muito para aprender e refletir, e assumo a responsabilidade pela derrota para os bons e esforçados candidatos conservadores… sinto muito.”

A vitória histórica dos trabalhistas foi confirmada por volta de 5h da manhã, no horário local, quando a apuração dos votos mostrou que o partido progressista havia conquistado o número mágico de 326 cadeiras na Câmara dos Comuns, o equivalente à maioria absoluta do Parlamento. O resultado é, acima de tudo, uma clara mensagem de rejeição dos britânicos aos políticos conservadores há 14 anos no poder.

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Os conservadores perderam 250 assentos no Parlamento. Apesar de Rishi Sunak ter sido reeleito deputado, 12 ministros de seu gabinete foram derrotados nas urnas, entre eles a ex-primeira ministra Liz Truss. Em alguns redutos eleitorais do país, como a região universitária de Oxford, tradicionalmente de direita, os conservadores tiveram o pior resultado em 100 anos.

O bilionário Rishi Sunak é casado, foi ministro de Finanças do Reino Unido e perdeu o cargo de premiê para Liz Truss em setembro de 2022, antes de concorrer novamente em outubro do mesmo ano – Foto: reprodução

Os liberais-democratas têm motivo de sobra para comemorar, pois pularam de oito para 71 cadeiras ao atrair parte dos votos de eleitores de direita decepcionados com os conservadores.

A pesquisa de boca de urna havia indicado que o partido Reform, do líder da extrema direita Nigel Farage, o arquiteto da saída do Reino Unido da União Europeia, teria 13 cadeiras, mas eles terminaram a noite com quatro.

O partido verde, que só tinha um deputado na Câmara dos Comuns, conquistou quatro cadeiras. Pode parecer um número irrisório, mas os ecologistas ganharam em todos os distritos que investiram na campanha. O ex-lider trabalhista Jeremy Corbyn, que disputou como independente, desbancou o candidato do Partido Trabalhista em Londres, o que significa que, com os verdes, haverá presença importante da esquerda mais radical no Parlamento.

Diferentemente do Brasil, o trabalhista Keir Starmer chega ao poder sem conquistar a maioria dos votos, como acontece também nos Estados Unidos. De acordo com o sistema de voto distrital do Reino Unido, Starmer recebeu 35% dos votos no total.

O comparecimento às urnas foi de 60% dos eleitores que estavam aptos a votar, uma taxa mais baixa nessa eleição, o que demonstra a falta de interesse ou a desesperança dos britânicos pela política em geral.

No Reino Unido não há um período de transição de governo. O caminhão de mudança de Rishi Sunak já está estacionado na porta da residência oficial do primeiro-ministro em Downing Street.