
BTS no Show do Intervalo na final da Copa do Mundo FIFA 2026 – Estádio Nova York/Nova Jersey, EUA – Foto: Jeenah Moon/REUTERS
O BTS anunciou nesta quarta-feira (29) que não irá inscrever nenhuma de suas músicas para concorrer à 69ª edição do Grammy Awards, prevista para fevereiro de 2027. A decisão representa um marco na trajetória do grupo sul-coreano, que participará pela primeira vez da temporada de premiações sem buscar indicação ao principal prêmio da indústria musical.
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Em comunicado publicado nas redes sociais por todos os sete integrantes, o grupo explicou que a decisão foi motivada pela criação da nova categoria de Melhor Performance de Música Pop Asiática, anunciada recentemente pela Recording Academy.
“Esperamos que a música seja ouvida e amada pelo que ela é, e não dividida por região ou idioma”, afirmaram os artistas.
A nova categoria foi criada para reconhecer produções de mercados asiáticos, incluindo K-pop, J-pop, C-pop e outros gêneros pop produzidos na região ou interpretados em idiomas asiáticos.
Academia responde ao posicionamento do BTS
Após o anúncio do boicote, o CEO da Recording Academy, Harvey Mason Jr., lamentou a decisão do grupo, mas afirmou respeitar a posição dos artistas.
Segundo ele, a criação da categoria não pretende separar músicos asiáticos dos demais concorrentes, mas ampliar o reconhecimento da produção musical do continente.
Mason destacou ainda que artistas inscritos na categoria de Pop Asiático continuam elegíveis para disputar as principais categorias da premiação, como Álbum do Ano, Gravação do Ano e Canção do Ano.
“A proposta é ampliar as oportunidades de reconhecimento, e não limitar ou segmentar artistas”, declarou o executivo.
BTS vive um dos maiores momentos da carreira
O anúncio do boicote acontece poucos meses após o retorno oficial do grupo, que retomou as atividades em março de 2026 com o álbum ARIRANG, lançado após a conclusão do serviço militar obrigatório por todos os integrantes.
O projeto se tornou um fenômeno comercial, permanecendo por duas semanas consecutivas no topo da Billboard 200, estabelecendo um novo recorde para um artista de K-pop.
A turnê mundial também registrou ingressos esgotados em poucas horas na Coreia do Sul, América do Norte e Europa, impulsionada pela mobilização do ARMY, nome dado à base global de fãs do grupo.
Em maio deste ano, o BTS ainda conquistou o prêmio de Artista do Ano no American Music Awards, superando nomes como Taylor Swift, além de vencer outras duas categorias da cerimônia.
Até o momento, a Recording Academy não indicou qualquer mudança na nova categoria criada para a edição de 2027 do Grammy. O BTS também não sinalizou a possibilidade de rever sua decisão, reforçando que permanecerá fora do processo de inscrição enquanto mantiver o entendimento de que a música deve ser reconhecida independentemente de origem geográfica ou idioma.
A repercussão do anúncio mobilizou fãs e artistas nas redes sociais, reacendendo o debate sobre diversidade, inclusão e representatividade nas principais premiações internacionais da música.
O BTS tornou-se um dos principais responsáveis pela popularização global do K-pop ao longo da última década, acumulando recordes de vendas, bilhões de reproduções nas plataformas digitais e diversas indicações ao Grammy.
Embora tenha sido indicado em edições anteriores, o grupo nunca conquistou uma estatueta da premiação, fato frequentemente debatido entre fãs e especialistas da indústria musical. A criação de uma categoria específica para música pop asiática dividiu opiniões: enquanto alguns enxergam a iniciativa como um reconhecimento da força do mercado asiático, outros avaliam que ela pode reforçar uma separação entre artistas internacionais e os concorrentes das categorias gerais.
Com o boicote anunciado, o BTS transforma a edição de 2027 do Grammy em um novo capítulo da discussão sobre representatividade e critérios de reconhecimento na maior premiação da música mundial.
