Quatro brasileiros estão entre os integrantes da tripulação do navio Bandero detidos pela Guarda Costeira da Islândia após uma operação realizada em alto-mar na última quinta-feira (31). A embarcação participava da chamada Operação 86, organizada pela Fundação Capitão Paul Watson, movimento internacional de proteção aos oceanos que atua contra a caça comercial de baleias.
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Segundo informações divulgadas pela organização Sea Shepherd Brasil, o navio, de bandeira panamenha, foi interceptado por agentes da Guarda Costeira islandesa e cercado por forças especiais. Em seguida, a embarcação foi conduzida sob escolta até o Porto de Reykjavík, onde permanece retida.
De acordo com a organização, a abordagem ocorreu logo após a tripulação conseguir interromper temporariamente uma operação de caça comercial de baleias na região, ação que fazia parte da campanha ambiental promovida pela fundação.
Os brasileiros detidos foram identificados como Victor Calixto, marinheiro natural de São Paulo; Lucas Barbosa, cozinheiro de Alagoas; Vitor Young, contramestre de São Paulo; e Rui Amorim, médico cearense.
Ainda conforme a Sea Shepherd Brasil, a comunicação entre os tripulantes e o exterior foi interrompida nas primeiras horas após a detenção. Posteriormente, os integrantes da embarcação passaram a ter acesso restrito a computadores para manter contato com familiares.
Organização pede apoio diplomático
Em nota, a Sea Shepherd Brasil manifestou preocupação com a permanência da tripulação sob custódia das autoridades islandesas e cobrou atuação diplomática em defesa dos brasileiros envolvidos.
O Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso por meio da Embaixada do Brasil em Oslo, responsável pelos assuntos consulares relacionados à Islândia. Segundo o Itamaraty, representantes da missão diplomática prestam assistência consular aos quatro brasileiros e monitoram os desdobramentos da ocorrência junto às autoridades locais.
Caso segue em andamento
Até o momento, as autoridades islandesas não divulgaram informações detalhadas sobre eventuais acusações ou sobre o prazo para a conclusão dos procedimentos envolvendo a tripulação e a embarcação.
O caso continua sendo acompanhado por organizações ambientalistas, familiares dos detidos e pela diplomacia brasileira. A expectativa é de que novas informações sobre a situação jurídica dos ativistas e do navio sejam divulgadas nos próximos dias.
Contexto: caça às baleias segue como ponto de tensão internacional
A caça comercial de baleias voltou a ser autorizada na Islândia em 2006, após duas décadas de vigência da moratória internacional estabelecida pela Comissão Internacional da Baleia (IWC), em 1986. Desde então, o país figura ao lado de Noruega e Japão entre as poucas nações que ainda permitem a atividade comercial, embora enfrente crescente pressão de organizações ambientalistas e de parceiros internacionais.
Nos últimos anos, o tema também ganhou relevância no debate sobre a aproximação da Islândia com a União Europeia. O novo governo islandês convocou um referendo para decidir se o país retomará as negociações de adesão ao bloco europeu, suspensas desde 2015.
Embora a interrupção da caça às baleias não constitua uma exigência jurídica formal para ingressar na União Europeia, o bloco mantém posição histórica de oposição à caça comercial e tem reiterado críticas à política islandesa. Analistas avaliam que o tema poderá representar um dos principais obstáculos políticos em eventuais negociações de adesão, caso o processo seja retomado.
