Internacional

Ataque na Etiópia mata mais 260 civis e ONU esta em silencio


Em decorrência de ataques que estão acontecendo neste momento, mais de 260 civis ja foram mortos e a ONU aida não se pronunciou. De acordo com testemunhas, vítimas foram enterradas em vala comum.

Os ataques contra civis acontecem há muito tempo. Mais de 300 civis ja foram mortos na Etiópia desde o final de novembro de 2021, em uma série de ataques aéreos no norte do país, devastado pela guerra, principalmente na região de Tigré e Oromia.

Continua depois da Publicidade

Um ataque de homens armados na região de Oromia, no oeste da Etiópia, deixou pelo menos 260 civis mortos, segundo moradores realaram detalhes de como eles participaram do enterro em valas comuns.

Um morador deu um número de 260 mortos, o outro disse 320. O porta-voz regional de Oromiya, Hailu Adugna, e o porta-voz militar etíope, coronel Getnet Adane, não quiseram comentar.

Anteriormente, o primeiro-ministro Abiy Ahmed havia condenado o que descreveu como “atos horríveis” em Oromiya, sem dar detalhes.

“Ataques contra civis inocentes e destruição de meios de subsistência por forças ilegais e irregulares são inaceitáveis”, disse ele no Twitter.

Governo culpa grupo terrorista

Em um comunicado, o governo regional de Oromia culpou o Exército de Libertação Oromo (OLA), afirmando que os rebeldes atacaram “depois de serem incapazes de resistir às operações lançadas pelas forças de segurança [federais]”.

Um porta-voz da OLA, Odaa Tarbii negou a responsabilidade pelo ataque e culpou as forças do governo pelo massacre.

“O ataque a que se referem foi cometido pelo regime militar e milícias locais quando se retiravam do seu campo em Gimbi na sequência da nossa recente ofensiva”, disse.

“Eles fugiram para uma área chamada Tole, onde atacaram a população local e destruíram suas propriedades como retaliação por seu apoio ao OLA”, completou.

O OLA, designado pelo governo central como uma organização terrorista, se separou da Frente de Libertação Oromo, um grupo de oposição banido que retornou do exílio depois que o primeiro-ministro Abiy Ahmed assumiu o cargo, em 2018, e promoveu acordos de paz.

 Abiy Ahmed fala ao microfone

Tensões étnicas generalizadas

A Comissão de Direitos Humanos da Etiópia, designada pelo governo central, apelou nesta segunda-feira ao governo de Abiy Ahmed que encontre uma “solução duradoura” para evitar a morte de civis.

Abiy é o primeiro membro da etnia oromo a governar o país. No entanto, alguns membros de sua etnia acreditam que ele traiu os interesses da comunidade.

O massacre ocorreu dias depois de a Comissão de Direitos Humanos da Etiópia acusar as forças de segurança do governo de executar sumariamente moradores na região fronteiriça de Gambella, depois que as forças acusaram a população de colaborar com os combatentes do OLA.

Nos últimos meses, uma nova ofensiva do governo forçou o OLA a se retirar de algumas áreas onde anteriormente tinha influência significativa. O massacre segue uma série de contra-ataques do grupo na semana passada.

A Etiópia está passando por tensões étnicas generalizadas em várias regiões, a maioria delas devido a queixas históricas e tensões políticas. O povo amara, o segundo maior grupo étnico entre os mais de 110 milhões de habitantes da Etiópia, tem sido alvo de ataques frequentes em regiões como Oromia.

le (Reuters, AFP, Lusa, ots)

Redação Portal CINCO