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Filme sobre Holocausto é um dos favoritos à Palma de Ouro em Cannes

O suspense é grande para saber qual dos 21 longas na competição pela Palma de Ouro irá levar o mais prestigioso prêmio do Festival de Cannes neste sábado (27). Dois longas se destacam como favoritos de vários críticos: “The Zone of Interest” (A Zona de Interesse), do britânico Jonathan Glazer, e “Anatomia d’une chute” (Anatomia de uma queda), da francesa, Justine Triet.


Depois da premiação nessa sexta-feira (26) da mostra Um Certo Olhar, que recompensou o longa brasileiro “A Flor do Buriti”, e da “Palma Queer”, que consagrou “Monster”, do japonês Kore-eda, neste sábado serão conhecidos os vencedores da competição oficial do Festival de Cannes.

Além de “The Zone of Interest”, de Jonathan Glaizer, e “Anatomie d’une chute”, de Triet, outro longa que aparece em várias listas de apostas é “Les Feuilles mortes” (Folhas mortas), do finlandês Aki Kaurismaki.

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O jornalista brasileiro Guilherme Jacobs, do site Chippu, que cobre o Festival de Cannes pela segunda vez, achou a seleção este ano “superior” a de 2022. O favorito do jornalista pernambucano é “The Zone of Interest”.

“Eu colocaria as minhas fichas para o filme do Jonathan Glazer. É um drama de Holocausto como eu nunca vi feito na minha vida. É um tema obviamente já explorado, mas eu achei que foi feito de uma maneira muito inédita, muito única. É o meu favorito particular”, aposta. O longa descreve o cotidiano da família do comandante nazista de Auschwitz, sem nunca mostrar os horrores do campo de concentração.

“Perfect Days”

Lino Meirelles, do site Metrópoles, cita como favorito o longa de Glazer, mas também coloca na sua lista um filme que vem crescendo nas apostas desde a sua exibição na última quinta-feira (25): “Perfect Day”, do veterano Wim Wenders. O longa rodado no Japão é um filme sensível e poético que mostra o cotidiano de um funcionário da limpeza de banheiros públicos de Tóquio.

A editora-chefe de Cultura da RFI em francês, Isabelle Chenu, aponta como grande favorito, “The Zone of Interest”, que fez “a proposta mais criativa e original” dessas duas semanas de festival. O “charme, sem artifícios” de “Perfect Days” também impressionou Chenu. Na sua opinião, Wim Wenders realizou um filme “delicado e belo sobre a vida invisível de um homem”. O veterano cineasta alemão já levou uma Palma de Ouro, em 1984, com “Paris Texas”.

Documentário “Juventude” e “As Filhas de Olfa”

A editora de cultura da RFI destaca, ainda, o único documentário da seleção, “Juventude”, de Wang Bing, que é o grande documentarista da China contemporânea. “Não sei se ele será premiado, mas “é um documentário de grande amplitude sobre a juventude que trabalha na indústria têxtil chinesa costurando roupas que o mundo inteiro vai vestir”, descreve.

O longa “Les filles d’Olfa” (As Filhas de Olfa), da tunisiana Kaouther Ben Hania, também impressionou Isabelle Chenu por seu “formato”. O filme fala do caso verdadeiro de duas jovens que integraram o grupo Estado Islâmico e estão presas na Líbia. Para mostrar essa história, a diretora conta com a atuação das personagens reais de Olfa e das duas filhas menores dela. “O que ela mostra, é o legado da violência contra as mulheres, que elas reproduzem, e a chegada de uma nova geração. Acho muito marcante também”, afirma.

Além da Palma de Ouro, a competição oficial distribui seis prêmios e o júri presidido pelo diretor sueco Ruben Östlund pode surpreender com suas escolhas. “Firebrand”, dirigido pelo brasileiro Karim Aïnouz, está na disputa. Fim do suspense na noite deste sábado.

Com informações de Adriana Brandão (RFI)