
Foto: Reprodução
Uma supercélula foi registrada na região de Alegrete, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, durante a sequência de temporais que atingiu o estado no sábado (26). A formação foi filmada por volta das 18h50 por caçadores de tempestades que acompanhavam as condições meteorológicas na região.
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Entre os integrantes da equipe estava o norte-americano Nader Mike, que viajou ao Brasil para acompanhar eventos meteorológicos severos. O grupo também contou com o fotógrafo gaúcho Gabriel Zaparolli, que registrou e transmitiu ao vivo o acompanhamento da tempestade.
Em uma publicação nas redes sociais, Zaparolli descreveu a formação como uma “supercélula monstruosa” e mencionou a possibilidade de que um tornado tenha se formado rapidamente na região. A hipótese, porém, ainda não foi confirmada por análise meteorológica.
O que é uma supercélula?
A supercélula é um tipo de tempestade severa caracterizada pela presença de uma corrente de ar ascendente em rotação, conhecida como mesociclone.
Essa estrutura permite que a tempestade permaneça organizada por mais tempo e pode favorecer a ocorrência de fenômenos extremos, como granizo de grande dimensão, rajadas de vento muito fortes e, em determinadas condições, tornados.
A presença de uma supercélula, entretanto, não significa necessariamente que um tornado será formado. Para que isso aconteça, é necessária uma combinação específica de fatores atmosféricos, incluindo umidade, calor, instabilidade e mudanças na velocidade e na direção dos ventos conforme a altitude aumenta.
Granizo provoca estragos em Alegrete
A supercélula foi registrada durante um episódio de tempo severo que provocou fortes chuvas e granizo em Alegrete.
Na localidade de Passo Novo, cerca de 300 casas foram atingidas pelas pedras de gelo, que tinham aproximadamente 4 a 6 centímetros de diâmetro. Cerca de 2 mil pessoas foram afetadas.
Além dos imóveis danificados, o temporal provocou problemas na rede elétrica, atingiu veículos e causou danos em estruturas públicas. Equipes da Defesa Civil e da prefeitura trabalharam no levantamento dos prejuízos e no atendimento aos moradores.
Mais de 6 mil pessoas foram afetadas no RS
O temporal de sábado faz parte de uma sequência de eventos meteorológicos severos que atingem o Rio Grande do Sul desde sexta-feira (25).
Segundo balanço preliminar da Defesa Civil estadual divulgado neste domingo (27), 6.347 pessoas foram afetadas e 1.314 casas foram danificadas em dez municípios monitorados. Vinte pessoas ficaram desalojadas. Até a atualização do levantamento, não havia registro de mortes ou desaparecidos relacionados a esses eventos.
Santiago foi um dos municípios mais afetados, com aproximadamente 4 mil pessoas atingidas e mil residências danificadas. Em Alegrete, foram contabilizadas cerca de 2 mil pessoas afetadas e 300 casas danificadas.
Supercélula em Ernestina
Alertas continuam em vigor
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul manteve alertas para chuva, granizo e ventos fortes na região de Alegrete. Um dos avisos emitidos neste domingo indicou risco alto de destelhamento nas áreas próximas ao município.
O governo estadual também informou que o cenário de tempo severo deve persistir nos próximos dias, com possibilidade de chuva intensa, granizo e rajadas de vento. Há ainda risco de elevação dos níveis dos rios, incluindo o Ibirapuitã, em Alegrete.
Por que o Rio Grande do Sul está tendo tantos temporais?
A sequência de temporais está associada a um cenário de forte instabilidade atmosférica sobre o estado.
A presença de umidade, calor e sistemas meteorológicos capazes de provocar ascensão do ar favorece o desenvolvimento de nuvens de grande extensão vertical. Quando esses fatores se combinam com mudanças significativas na direção e na velocidade dos ventos em diferentes altitudes, podem surgir tempestades mais organizadas e severas.
É justamente nesse ambiente que podem se desenvolver estruturas como as supercélulas.
Possibilidade de tornado ainda depende de confirmação
Apesar das imagens impressionantes da formação registrada em Alegrete, não é possível afirmar, neste momento, que um tornado tenha ocorrido no local.
A possibilidade foi levantada pelos próprios caçadores de tempestades a partir da observação da estrutura da tempestade. A confirmação de um tornado depende de análise técnica das imagens, dos dados meteorológicos e dos danos eventualmente encontrados na área.
Por enquanto, o fenômeno registrado é classificado como uma supercélula, em meio a um episódio de tempo severo que provocou granizo, ventos fortes e danos em diferentes pontos do Rio Grande do Sul.
A orientação das autoridades é para que moradores acompanhem os alertas oficiais e evitem permanecer em áreas abertas durante tempestades, especialmente quando houver previsão de granizo e rajadas de vento fortes.
A reportagem confirmou que o vídeo de Ernestina é autêntico e não se trata de conteúdo gerado por Inteligência Artificial (IA). A confirmação da veracidade do local veio por meio do vice-prefeito de Ernestina, Leonir Vargas, que ratificou que o fenômeno meteorológico ocorreu no território do município gaúcho.
