
Trump assinou nesta quarta-feira, 30, a taxação sobre o Brasil – Foto: Joyce N. Boghosian/White House
Após três semanas de intensa negociação entre o setor produtivo e o governo federal, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou nesta quarta-feira (30) a imposição de uma tarifa de 50% sobre grande parte das exportações brasileiras. A medida, que entra em vigor em sete dias, causou alívio entre os setores que conseguiram escapar da nova taxação, mas provocou forte apreensão entre os que foram atingidos.
A decisão de Trump excluiu 694 produtos da nova tarifa, entre eles itens estratégicos para a balança comercial brasileira, como suco de laranja, celulose e aviões da Embraer. No entanto, produtos de grande peso como café, carnes e frutas tropicais foram incluídos na tarifa extra de 40%, somada à atual de 10%, totalizando os 50% anunciados no início do mês.
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Segundo a consultoria Leme, os produtos que escaparam representam 41% do total exportado pelo Brasil para os EUA no primeiro semestre deste ano, o que equivale a US$ 8,2 bilhões dos US$ 20 bilhões exportados. Ainda assim, 59% das exportações — ou US$ 11,8 bilhões — serão afetadas pela medida.
O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral afirmou que o impacto será “muito grande”, principalmente em setores onde o Brasil compete diretamente com outros mercados, como o de carnes. “Uma taxa de 50% é altíssima. A situação brasileira ficou bem mais complicada que a da Europa ou do Japão, que receberam tarifas de apenas 15%”, destacou.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o impacto não é o pior cenário possível, mas reconheceu que a medida trará prejuízos significativos. “O cenário do tarifaço não sendo o pior não quer dizer que não há impactos”, disse.
Setores contemplados com isenção, como o de suco de laranja, comemoraram. Ibiapaba Netto, diretor executivo da CitrusBR, afirmou que recebeu a notícia “com alívio e responsabilidade”. Já outros, como o setor de máquinas e equipamentos, lamentaram a exclusão da lista de exceções e alertaram para possíveis demissões e fechamento de fábricas.
Motivações políticas ganham destaque
O tom da ordem executiva assinada por Trump escancarou o viés político da decisão. O documento ataca diretamente o governo brasileiro, menciona o ministro Alexandre de Moraes (STF) e defende o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores, classificados como vítimas de “violações de direitos humanos”.
A Casa Branca justificou a taxação como resposta a “políticas e ações incomuns e extraordinárias do governo do Brasil”, que supostamente ameaçariam a economia, a segurança nacional e os direitos dos cidadãos americanos. Trump declarou uma nova emergência nacional amparada na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977 (IEEPA).
Diante da gravidade do anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se imediatamente com ministros-chave para discutir medidas de reação. Participaram do encontro os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Jorge Messias (AGU), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Comunicação) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (Indústria e Comércio).
Especialistas apontam que a medida tem claros objetivos eleitorais de Trump, que busca mobilizar sua base política com críticas ao governo brasileiro e apoio a Bolsonaro. Ainda assim, o impacto econômico para o Brasil deverá ser profundo, com efeitos diretos sobre empregos, investimentos e o desempenho das exportações nacionais nos próximos meses.
