
Seca no Amazonas – Foto: Inteligência Artificial (ChatGPT)
A estiagem avança pelo Amazonas e já coloca 22 dos 62 municípios do estado em situação de emergência, segundo boletim divulgado pelo Governo do Amazonas na quinta-feira (1º). O levantamento é realizado pela Defesa Civil estadual e integra o monitoramento do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais.
Além das cidades classificadas em emergência, 18 municípios estão em situação de alerta e 13 em situação de atenção. Outros nove aparecem em situação de normalidade. Ao todo, portanto, 53 municípios estão em algum dos três níveis de acompanhamento relacionados à estiagem.
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Estão em situação de emergência Alvarães, Amaturá, Atalaia do Norte, Barreirinha, Benjamin Constant, Caapiranga, Carauari, Careiro, Coari, Eirunepé, Envira, Itamarati, Jutaí, Manacapuru, Maués, Novo Aripuanã, Presidente Figueiredo, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tefé e Tonantins.
No nível de alerta estão Barcelos, Beruri, Boa Vista do Ramos, Boca do Acre, Canutama, Guajará, Ipixuna, Juruá, Lábrea, Nhamundá, Parintins, Pauini, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga, Tapauá e Urucará.
Já a situação de atenção abrange Anamã, Anori, Apuí, Borba, Careiro da Várzea, Codajás, Fonte Boa, Humaitá, Iranduba, Manaquiri, Manicoré, Nova Olinda do Norte e Uarini.
Níveis dos rios preocupam

O riacho Tiaracá, no Parque Nacional do Jaú, no Amazonas, em setembro de 2024, durante a seca extrema. A navegação pelo riacho só era possível remando, pois o nível da água estava muito baixo para o motor de popa — Foto: Cássio Alencar Nunes
O cenário ocorre durante o período de vazante dos rios amazônicos. Dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB) mostram que a descida dos níveis segue em grande parte da região neste período do ano.
Em setembro, o SGB informou que o rio Negro, em Manaus, havia chegado a 21,76 metros em 15 de setembro, mantendo trajetória de descida gradual. Naquele momento, a instituição avaliava que a maior parte das estações monitoradas permanecia dentro do comportamento esperado para a época, embora houvesse pontos de atenção em algumas bacias.
Projeções divulgadas pelo SGB no início de setembro, porém, apontavam para um cenário potencialmente mais severo no auge da vazante. Para Manaus, os modelos analisados indicavam possibilidade de o rio Negro ficar abaixo de 13 metros em 31 de outubro, caso a velocidade de descida se aproximasse de padrões observados em anos anteriores de estiagem intensa. Em um cenário baseado no comportamento de 2023, a estimativa era de 13,37 metros.
No rio Solimões, em Tabatinga, o SGB projetou para o fim de outubro uma cota entre -31 centímetros e 1,78 metro. A cota de emergência utilizada para a estação é de 1,20 metro. Para Itacoatiara, no rio Amazonas, a projeção para 31 de outubro variava de 57 centímetros a 3,32 metros.
El Niño pode manter condições de seca
A estiagem ocorre em um ano marcado pela formação e intensificação do El Niño. Segundo o quarto boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado por órgãos como INPE, INMET, ANA, Cemaden e SGB, há 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro.
O mesmo boletim aponta que o El Niño deve persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. Para o último trimestre deste ano, a previsão indica maior probabilidade de chuvas abaixo da média em grande parte da Região Norte, enquanto as temperaturas tendem a permanecer acima do normal em boa parte do país.
As instituições federais também alertam que a combinação de menor volume de chuva e temperaturas elevadas no Norte pode contribuir para o agravamento das condições de seca, aumentar o risco de incêndios e pressionar a disponibilidade de água.
Comunidades enfrentam dificuldades de abastecimento
A redução do nível dos rios também afeta comunidades ribeirinhas que dependem dos cursos d’água para transporte, pesca e acesso à água para consumo.
Como parte das medidas de resposta, a Defesa Civil informou ter enviado 167 kits de purificadores de água do projeto Água Boa a municípios amazonenses em 2026. Os equipamentos são destinados principalmente a localidades que enfrentam dificuldades de abastecimento durante períodos de cheia e estiagem.
Os kits foram encaminhados para 25 municípios: Amaturá, Apuí, Autazes, Benjamin Constant, Boa Vista do Ramos, Boca do Acre, Careiro da Várzea, Codajás, Eirunepé, Envira, Fonte Boa, Iranduba, Itacoatiara, Jutaí, Manacapuru, Maraã, Parintins, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santa Isabel do Rio Negro, Santo Antônio do Içá, São Sebastião do Uatumã, Tonantins, Urucará e Urucurituba.
A iniciativa faz parte das ações estaduais de preparação, prevenção e resposta aos eventos climáticos e ambientais, com foco no atendimento aos municípios e às comunidades consideradas mais vulneráveis.
Monitoramento continua
O Serviço Geológico do Brasil mantém o acompanhamento dos principais rios da Bacia Amazônica por meio do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas. Os dados são utilizados para subsidiar órgãos públicos e a Defesa Civil no planejamento de ações diante de períodos de cheia e estiagem.
Com a aproximação do pico da vazante e a previsão de condições climáticas mais secas no Norte, a evolução dos níveis dos rios e das chuvas continuará sendo monitorada pelas autoridades estaduais e federais.
Fontes consultadas: SGB, INPE, CEMADEN, INMET e Agência Brasil
