
Caixa-preta não registrou áudio de voo em queda de helicóptero com Rick, diz Cenipa – Foto: reprodução
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O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado em 22 de outubro de 2026, trouxe novas informações sobre a queda do helicóptero que matou o cantor Rick Sollo, da dupla sertaneja Rick & Renner, e outras quatro pessoas. O documento aponta que o gravador de voz da cabine não continha registros do voo do acidente e reúne relatos de falhas recorrentes nos geradores elétricos da aeronave.
O acidente aconteceu em 21 de setembro, na região de Urubici, na Serra Catarinense. Segundo o relatório, os investigadores ainda não estabeleceram uma causa definitiva para a queda, e nenhuma hipótese foi descartada.
Caixa-preta não tinha gravações do voo
O equipamento conhecido como caixa-preta, tecnicamente chamado de Cockpit Voice Recorder (CVR), teve os dados extraídos pelos investigadores. No entanto, o conteúdo recuperado correspondia a diálogos relacionados a uma intervenção de manutenção realizada em data não identificada, e não ao voo que terminou em acidente.
O gravador tinha capacidade para armazenar até 30 minutos de áudio e havia sido instalado na aeronave em 17 de maio de 2002. De acordo com o Cenipa, a legislação aplicável não exigia esse tipo de equipamento para a operação em questão, embora o helicóptero estivesse equipado com o dispositivo.
A ausência de gravações do voo limita o acesso a eventuais conversas e sons da cabine nos momentos que antecederam a queda. A investigação, entretanto, continua utilizando outras evidências, incluindo registros de manutenção, informações meteorológicas e análises técnicas dos componentes da aeronave.
Geradores apresentavam falhas frequentes
Um dos principais pontos do documento é o histórico de problemas nos geradores do helicóptero. Esses componentes são responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica aos sistemas da aeronave e, conforme o modelo, também participam do processo de partida dos motores.
Segundo os relatos reunidos pelos investigadores, algumas falhas ocorreram após voos realizados sob chuva ou dentro de nuvens, situações que poderiam expor os componentes à umidade. Um mecânico que já havia trabalhado na aeronave confirmou a recorrência dos problemas, embora não pudesse afirmar que a umidade fosse a causa em todos os episódios.
Os registros também indicam que, em determinado momento, um dos geradores deixou de fornecer energia, enquanto o outro manteve a alimentação elétrica e evitou que as telas da aeronave se apagassem.
Em 25 de abril de 2026, um dos motores-geradores de partida foi substituído temporariamente por uma unidade alugada. Após reparos, o componente removido foi reinstalado em 13 de maio, em outra posição. A partir dessa alteração, segundo o relatório, as falhas passaram a ocorrer alternadamente nos dois geradores.
Diante da continuidade dos problemas, o mecânico recomendou que o helicóptero retornasse a uma organização de manutenção para uma nova inspeção, com o objetivo de identificar a origem das panes. Conforme o documento, essa avaliação ainda não havia sido realizada até a data do acidente.
Aeronave já havia feito pouso de emergência
O histórico da aeronave também inclui um episódio anterior à queda. Em 30 de março de 2026, o helicóptero precisou realizar um pouso de emergência em Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, após apresentar uma vibração considerada anormal.
De acordo com o relatório, as inspeções e manutenções realizadas posteriormente não identificaram problemas na vibração do rotor principal. O episódio integra o histórico analisado pelos investigadores, mas não estabelece, por si só, uma relação com o acidente ocorrido em Santa Catarina.
Chuva, nuvens baixas e baixa visibilidade
As condições meteorológicas na região também estão entre os aspectos examinados pelo Cenipa. O relatório descreve a presença de um sistema frontal, chuva moderada, trovoadas e nuvens que restringiam a visibilidade.
A previsão meteorológica para a região de informação de voo de Curitiba indicava visibilidade reduzida a aproximadamente três quilômetros, além de nuvens com grande desenvolvimento vertical e obscurecimento de montanhas na Serra Geral.
Segundo o documento, o helicóptero colidiu contra o terreno em uma área montanhosa do Parque Nacional de São Joaquim, nas proximidades de Urubici.
As condições registradas são consideradas elementos relevantes para a apuração, mas o Cenipa ainda não concluiu se o tempo, as falhas mecânicas ou uma combinação de fatores contribuíram para a queda.
Como aconteceu o acidente
O helicóptero Bell 430, de prefixo PP-MGR, decolou de Porto Belo, no litoral catarinense, na manhã de 21 de setembro. A aeronave deveria seguir viagem pela região, mas desapareceu durante o trajeto.
Os destroços foram localizados após buscas realizadas por equipes da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina. A operação enfrentou dificuldades devido ao relevo montanhoso, à vegetação e às condições meteorológicas.
As cinco pessoas que estavam a bordo morreram. Além do cantor Rick, estavam na aeronave o empresário e influenciador Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
Investigação continua sem conclusão definitiva
O Cenipa esclareceu que o relatório divulgado apresenta o estágio atual da investigação e não representa uma conclusão final sobre as causas do acidente. O trabalho inclui exames complementares e análises de diferentes áreas, como sistemas da aeronave, manutenção, ambiente operacional e fatores humanos.
Paralelamente, a Polícia Civil de Santa Catarina abriu investigação criminal para apurar eventuais responsabilidades relacionadas à ocorrência. A apuração policial é independente da investigação técnica conduzida pela Aeronáutica.
Até a divulgação do relatório final, não é possível atribuir oficialmente a queda a uma falha específica ou afirmar que os problemas relatados nos geradores foram determinantes para o acidente.
