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Economia

Preço do café dispara 82% em um ano e pressiona clubes de assinatura

Alta histórica causada por quebras de safra afeta mercado e força reajuste nas mensalidades de serviços de entrega de grãos especiais.


Cafés nas prateleiras de um supermercado de São Paulo – Foto: David Lucena/Folhapress

O café em pó vive um dos períodos mais inflacionários das últimas décadas. Dados do IBGE mostram que, nos 12 meses até maio, o produto acumulou alta de 82,24%, pressionando não só o bolso do consumidor nos supermercados, mas também os clubes de assinatura de café, que viram os custos explodirem.

Em São Paulo, a situação é ainda mais crítica: o preço do café subiu quase 90%, de acordo com a Fipe.

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Impacto direto nos clubes de assinatura

Noete Café Clube, de Belo Horizonte, precisou reajustar suas mensalidades em quase 50% nos últimos dois anos. A empresa, que trabalha com cafés de produção limitada, relata que o aumento nos preços dos grãos chegou a 150% no mesmo período.

“Está cada vez mais difícil conseguir bons cafés a preços viáveis. Muitos pequenos produtores desistem do cuidado extra necessário para cafés especiais”, diz a equipe do Noete.

Já o Moka Clube, um dos pioneiros do setor fundado em 2012, também reajustou preços, mas diz que sua base de assinantes cresceu.

“Com o café mais caro no varejo, o clube passou a oferecer melhor custo-benefício. E nossos clientes garantem qualidade constante”, afirma a empresa.

Por que o café ficou tão caro?

Segundo Giuliana Bastos, consultora da Abic, a alta é reflexo de uma combinação de fatores climáticos e de mercado.

“Nos últimos quatro anos, o custo da matéria-prima aumentou 224%. Isso naturalmente impacta todos os serviços relacionados ao café.”

Eventos como El Niño, estiagens prolongadas e queimadas em regiões produtoras como o Sul de Minas Gerais comprometeram a oferta global do grão, afetando também países como o Vietnã.

Há alívio à vista?

Segundo o Cepea/USP, os preços ao produtor começaram a cair em maio:

  • Arábica: -10,71%

  • Robusta: -18%

A colheita mais avançada do robusta e a expectativa de uma boa safra ajudam a frear a escalada de preços.

Contudo, Guilherme Moreira, coordenador do IPC/Fipe, alerta que o consumidor ainda sentirá os efeitos por um bom tempo:

“O ciclo de recuperação do café é longo. Mesmo com boas safras, o impacto nos estoques será prolongado. Os preços ainda não vão cair tão cedo.”

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Linha do Tempo da Crise do Café

  • 2023-2024 – Eventos climáticos extremos como queimadas e estiagens impactam colheitas no Brasil e no Vietnã

  • Últimos 12 meses – Café em pó acumula alta de 82,24%, segundo o IPCA

  • Maio/2025 – Preço sobe mais 4,59% no mês; alta histórica desde o Plano Real

  • Junho/2025 – Cepea aponta queda de 10,71% no arábica e mais de 18% no robusta; mercado prevê possível estabilização