Operação policial deflagrada no Rio foi antecedida por investigação que durou mais de um ano.
Uma megaoperação realizada desde as primeiras horas desta terça-feira (28) nos Complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, já contabiliza 64 mortos, sendo quatro policiais e 60 suspeitos. Segundo as forças de segurança, a ação tem como alvo lideranças de facções criminosas e é considerada a mais letal da história do estado.
Outros oito agentes foram baleados durante os confrontos, além de quatro pessoas atingidas por balas perdidas. Todos foram levados para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. De acordo com a Secretaria de Segurança, 81 suspeitos foram presos e 93 fuzis apreendidos, além de grande quantidade de drogas.
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Armas apreendidas – Foto: Reprodução

Armas apreendidas – Foto: Reprodução
Entre os mortos está o policial civil Marcos Vinicius, da 53ª DP (Mesquita). Ele foi atingido no pescoço e chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Outros agentes seguem internados, e ainda não há atualização sobre seus estados de saúde.
Os feridos incluem um delegado assistente da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), quatro policiais civis, e três militares — dois do Bope e um do Batalhão de Ações com Cães (BAC). O policial do Bope está em estado estável no Hospital Central da PM, no Estácio.
Vítimas de bala perdida
Entre as vítimas civis estão Kelman Magalhães Barros, atingida dentro de uma academia, e um mototaxista que foi baleado ao chegar para trabalhar. Ambos receberam alta. Um homem em situação de rua e outro que estava em um ferro-velho também foram feridos, e o estado de saúde deles ainda não foi divulgado.
Declarações do governo
Em coletiva na Cidade da Polícia, o governador Cláudio Castro afirmou que há indícios de que chefes do tráfico estejam escondidos nas comunidades.
“A operação é maior que a de 2010 e não conta com apoio federal. O Rio está sozinho. Esse poder bélico não é produzido aqui — ele entra pelas fronteiras e é financiado por lavagem de dinheiro”, declarou Castro.
Entre os presos, dois já foram identificados: Nikolas Fernandes Soares, apontado como operador financeiro de Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”, e Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como “Belão”.

Imprensa internacional repercute megaoperação contra o CV que deixou mais de 60 mortos – Fotos: Reprodução
Impactos na cidade
A operação afetou o funcionamento de 46 escolas municipais e cinco unidades de saúde, que suspenderam atendimentos externos por segurança. Linhas de ônibus e do corredor Transcarioca também foram desviadas ou interrompidas nos dois sentidos.
O Centro de Operações Rio (COR) orienta motoristas a evitarem a região dos complexos da Penha e do Alemão devido às interdições temporárias.
Lewandowski rebate Cláudio Castro e comunica que vai ao RJ para reunião emergencial
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, negou nesta terça-feira (28) que o governo federal tenha se omitido em relação à segurança pública do Rio de Janeiro. A declaração foi uma resposta direta ao governador Cláudio Castro (PL), que afirmou que o estado estaria “sozinho” na megaoperação realizada nos Complexos da Penha e do Alemão, que deixou 64 mortos e 80 presos.
Em entrevista coletiva após receber o Título de Cidadão Cearense, em solenidade na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), Lewandowski afirmou que o governo federal tem prestado apoio constante às forças de segurança do Rio.
“A Polícia Federal tem atuado intensamente, seja com investimentos na área da segurança pública, com fornecimento de armas e equipamentos, seja na parte prisional, onde temos investido muitos milhões”, destacou.
O ministro lembrou ainda que o governador Cláudio Castro solicitou no início do ano a transferência de líderes de facções criminosas para presídios federais de segurança máxima — e que o pedido foi integralmente atendido.
“Nenhum pedido foi negado”, reforçou Lewandowski.
Ele também ressaltou que, pela Constituição, a responsabilidade direta pela segurança pública é dos estados.
“A responsabilidade constitucional pela segurança pública nos estados é das autoridades locais, é do governador”, afirmou.

Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski – Foto: Douglas Filho
O ministro Lewandowski, disse que a União está à disposição, e reiterou que o governador não fez pedido oficial de ajuda ao governo federal. Além de Lewandowski, farão parte da coletiva o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor-executivo da corporação, William Marcel Murad.
PEC da Segurança Pública
Durante o evento, o ministro voltou a defender a PEC da Segurança Pública, proposta que busca integrar as forças federais, estaduais e municipais. Segundo Lewandowski, a medida é essencial para melhorar a eficiência das operações no país.
“Precisamos de compartilhamento de inteligência, ações coordenadas e planejadas antecipadamente. É isso que nós estamos precisando”, concluiu.

Os policiais militares mortos foram identificados como Cleiton Serafim Gonçalves e Herbert. Eles eram integrantes do Batalhão de Operações Policiais (Bope) – Fotos: Reprodução
