Brasil

Amazonas

Mais de 80 mil pessoas são afetadas pela seca dos rios no Amazonas, aponta Defesa Civil

Dos 62 municípios do Amazonas, 59 estão sofrendo com a estiagem.


Dos 62 municípios do Amazonas, 59 estão sofrendo com a seca dos rios. Segundo a Defesa Civil do estado, mais de 80 mil pessoas são afetadas pela estiagem. Os dados são do último levantamento divulgado pelo órgão na sexta-feira (22).

De acordo com a Defesa Civil, o município mais afetado é o de São Paulo de Olivença, localizado na Região do Alto Solimões. Na cidade, são 23.932 pessoas atingidas pela seca, o que representa quase 6 mil famílias.

Continua depois da Publicidade

A cidade de Benjamin Constant, vizinha de São Paulo de Olivença, concentra 18.172 pessoas atingidas pela estiagem que afeta o Amazonas, a segunda mais atingida pelo fenômeno, até o momento.

A lista ainda traz Tefé (13.467 pessoas atingidas), Uarini (8.852 pessoas), Envira (8.396), Itamarati (5.451 pessoas) e Jutaí (2.2496).

Até esta segunda-feira (25), 14 municípios vivem em situação de emergência por conta da estiagem. Os mais afetados são os localizados na Calha do Alto Solimões, onde fica Benjamin Constant e São Paulo de Olivença. Além deles, Atalaia do Norte, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantins estão na lista.

Em Atalaia do Norte, o rio secou tanto que a empresa de abastecimento não consegue mais captar água. Mais de 5 mil pessoas estão sem acesso à água potável. A Prefeitura do município informou que está usando caminhões para o abastecimento de água das casas.

Envira, Itamarati, Eirunepé, Envira, Tefé, Coari, Jutaí e Uarini também vivem a emergência da seca dos rios. Outras 15 cidades estão em alerta, 30 em atenção e apenas três estão com os níveis das águas normais.

Estiagem intensa e investimentos

Seca no alto Solimões, no Amazonas — Foto: Rede Amazônica

Conforme a Defesa Civil, a previsão é que, devido a influência do fenômeno climático El Niño, que inibe a formação de nuvens de chuva, a estiagem deste ano seja prolongada e mais intensa, se comparada a anos anteriores.

Para minimizar os impactos causados pelo fenômeno climático, o Governo anunciou diversas ações orçadas em R$ 100 milhões.

Entre as medidas anunciadas estão o apoio às famílias afetadas com o envio de ajuda humanitária, distribuição de kits de higiene pessoal, hipoclorito de sódio, além de renegociação de dívidas e fomento aos produtores rurais.

No domingo (24), o governador Wilson Lima disse que as famílias impactadas pela seca poderão receber a ajuda do Governo Federal. O anúncio foi feito pelo governador, após uma conversa com o presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva e o senador amazonense Omar Aziz (MDB).

Além do anúncio, Lima ainda afirmou que viajará nesta terça-feira (26) para conversar pessoalmente com o presidente Lula, em Brasília.

Seca no Amazonas pode impactar Black Friday e Natal

A grave seca que atinge o Amazonas já começa a impactar o transporte de cargas por hidrovia no estado e pode afetar também o escoamento da Zona Franca de Manaus, segundo as empresas de logística que atuam na região.

A temporada de secas não é uma novidade na região, mas elas geralmente ocorrem nos meses entre outubro e dezembro. Este ano, com o fenômeno do El Niño, a seca chegou mais cedo e os níveis das águas estão baixando mais de 30 centímetros por dia, diz a Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem, o que mostra que a estiagem começou antes, pode ser mais grave e duradoura.

Na avaliação das empresas de logística que atuam na região, a situação pode afetar não só o abastecimento local, como pode impactar ainda o escoamento da Zona Franca de Manaus para o resto do país e o valor do transporte logístico.

Há duas semanas, as empresas de navegação passaram a cobrar “taxas de seca” que vão de R$3 mil a R$10 mil reais por contêiner e muitas delas não estão aceitando mais reservas até meados de outubro porque não sabem como ficarão as restrições à navegação.

Tudo isso ocorre no momento de pico de demanda, em que o comércio abastece o estoque para as vendas de fim de ano, que incluem a Black Friday e o Natal. Produtos como televisores, celulares, veículos, aparelhos de som e de vídeo, aparelhos de ar-condicionado, bicicletas, microcomputadores e chips estão entre os que são produzidos na Zona Franca.

Opinião pragmática

Procuramos ouvir José Jorge do Nascimento Junior – Presidente Executivo da ELETROS, entidade de classe que reúne as maiores indústrias de eletroeletrônicos de consumo do País, com 32 empresas associadas, 18 delas estão instaladas no Polo Industrial de Manaus, com destaque para as fabricantes de televisores e da chamada linha branca (geladeira, ar-condicionado, fogões etc) também conta com 45 fábricas, em 29 cidades de 11 Estados, as quais geram mais de 130.000 empregos e representam 3,3% do PIB Industrial do Brasil.

Jose Jorge Junior – Presidente executivo da ELETROS – Foto: reprodução

“No nosso setor as empresas estão preocupadas com o escoamento da produção. Mas até agora nada que afirme desabastecimento” afirmou, José Jorge Junior.

Com informações do G1 e Portal CINCO