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Lula teve 100 dias aquém do esperado, já considerados os piores 100 dias iniciais de governo desde FHC

O Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), registrou a maior queda para os primeiros 100 dias de governo desde o 1º mandato de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998). Caiu 7,20% no acumulado do ano até esta 2ª feira (10).


As ações tacanhas de Lula, foi o que gerou a revolta do escritor Paulo Coelho, assim como as pressões do governo para o Banco Central reduzir a taxa básica de juros, algo que tem incomodado também economistas liberais que votaram no petista, como Armínio Fraga e Henrique Meirelles.

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Escritor Paulo Coelho – Foto: reprodução

Décadas apoiando Lula, noto que seu novo mandato está patético’, escreveu Paulo Coelho. ‘Não devia ter me empenhado na campanha. Perdi leitores (faz parte) mas não estou vendo meu voto ter valido a pena’. É preciso mais do que misticismo e frases motivacionais para defender um político sem planos e sem escrúpulos. É difícil, até para um escritor mitológico e internacional, inventar novas variações para a mesma história.” escreveu o escritor na rede social, no final de março.

Apesar das críticas dos economistas liberais, pesquisa Datafolha mostrou que há grande apoio popular à atuação de Lula nesse tema. Segundo levantamento do final de março, 80% dos entrevistados avaliam que o presidente age bem ao pressionar pela redução da taxa de juros. Apenas para 16% ele age mal.

Questionada sobre as críticas, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República defendeu o debate público respeitoso.

“A atual gestão do governo brasileiro está completando 100 dias de um mandato de 4 anos para qual foi eleita nas urnas. Ouvimos, respeitamos, dialogamos e não ofendemos ninguém por discordâncias pontuais, eventuais ou mais gerais, porque defendemos a democracia, a livre expressão e o debate público respeitoso, com liberdade e troca de ideias”, respondeu o órgão.

A decepção de quem já esperava pouco

Se Paulo Coelho perdeu leitores, o empresário João Amoêdo abriu mão do partido que fundou, o Novo, ao decidir apoiar Lula no segundo turno da eleição.

João Amoêdo anuncia desfiliação do Novo

Foto: reprodução

Apesar das suas profundas críticas aos governos petistas, Amoêdo declarou voto no atual presidente por considerar que a reeleição de Bolsonaro seria uma “ameaça à democracia”. Depois, acabou se desfiliando do Novo, que manteve uma proximidade com o bolsonarismo.

À BBC News Brasil, o empresário disse que não esperava um governo alinhado com sua agenda — o PT, por exemplo, valoriza o papel de um Estado maior na redução das desigualdades e promoção do crescimento, enquanto economistas liberais como Amoêdo consideram que o setor privado é mais eficiente para gerar desenvolvimento.

Apesar de estar ciente dessas diferenças, considera que os primeiros cem dias foram piores do que ele imaginava. “Era cético em relação à gestão do Lula pelas ideias equivocadas do PT, especialmente quanto á gestão da economia, mas considera a hipótese de que Lula poderia fazer uma gestão mais parecida com o Lula 1”, contou.

“Infelizmente o que ele tem demonstrado até agora é que optou pelo modelo (do governo) Dilma (Rousseff), que foi um desastre. Nesse sentido, está sendo bem pior do que o esperado. A quantidade de erros e a falta de humildade do presidente são preocupantes”, critica.

Para Amoêdo, “a grande maioria das pautas do presidente são um retrocesso para o país”, como “os ataques ao BC, a ideia de reestatização da Eletrobrás, o conceito de trazer de volta o BNDES para subsidiar empresas, a alteração do Marco do Saneamento, entre outras”.

De positivo na economia, citou apenas o fim da desoneração nos combustíveis. Já na escolha da equipe ministerial, considerou “um avanço” a nomeação para alguns ministérios, como Educação (Camilo Santana), Meio Ambiente (Marina Silva), Justiça (Flávio Dino) e Relações internacionais (Mauro Vieira).

“Não me arrependo do voto, pois era um voto contra a permanência de Bolsonaro. Por todo o risco que ele representava para a democracia e para as instituições sua reeleição era, na minha avaliação, inaceitável”, disse.

100 dias de fiasco

Os 100 dias do governo Lula são considerados um fiasco pela oposição. Senadores e deputados usaram suas redes sociais para comentar os pouco mais de três meses do terceiro mandato do petista, que não apresentou projetos consistentes para o país. Alguns parlamentares lembram que a perspectiva de alta da inflação e do desemprego se avoluma e a “promessa da picanha” segue sem ser cumprida.

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Foto: reprodução

Para o deputado Ricardo Salles (PL-SP), são “100 dias de atrasos, de incompetência, de inoperância e de falta de rumo”.