Brasil

Governo

Lula critica juros altos e diz que Galípolo “está comendo o prato que recebeu”

Presidente afirma que atual chefe do Banco Central herdou cenário desfavorável de Campos Neto, mas sinaliza expectativa por mudança na política monetária.


Durante o lançamento do Plano Safra 2025/2026, nesta terça-feira (1º/7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a taxa básica de juros do país e a condução da política monetária, mas fez uma defesa pública do atual presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo.

“Não pensem que eu me conformo com a taxa de juros a 15% ao ano. Mas esse aumento já estava dado. Na verdade, o Galípolo está comendo o prato que ele recebeu. Não teve nem tempo de trocar de comida. Mas certamente vai trocar, porque o dólar começou a baixar, a inflação está controlada”, afirmou Lula.

Continua depois da Publicidade

Selic no maior nível desde 2006

Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, após o Comitê de Política Monetária (Copom) realizar a sétima alta consecutiva desde setembro de 2024. A decisão foi unânime e representa o maior patamar desde julho de 2006 — justamente ao final do primeiro mandato de Lula.

A justificativa do Copom é que a economia brasileira ainda apresenta “resiliência” e que a inflação não está convergindo à meta, exigindo aperto monetário adicional.

Mercado prevê juros altos até 2028

Mesmo com críticas públicas do governo, o mercado financeiro não espera que a Selic volte a ficar abaixo dos dois dígitos durante os mandatos de Lula e Galípolo. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, as previsões para os próximos anos são:

  • 2026: Selic em 12,50% ao ano

  • 2027: Selic em 10,50% ao ano

  • 2028: Selic em 10% ao ano

Governo dividido

Apesar de Lula manter apoio a Galípolo, ministros próximos ao presidente têm feito críticas mais duras à atuação do Banco Central. Nos bastidores, cresce a pressão por uma mudança de rumo na política de juros para incentivar o crescimento e o consumo.

Na segunda-feira (30/6), Lula afirmou que Galípolo é um gestor “muito sério” e que “as coisas vão ser corrigidas com o passar do tempo”. Ainda assim, a fala desta terça reforça o desconforto do Planalto com os rumos da economia.