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Desconhecimento sobre Amazônia leva economista a erro ao criticar Zona Franca de Manaus

Artigo de professor da Fundação Dom Cabral chama modelo da ZFM de “poluente e insustentável”, mas recebe forte reação de autoridades, empresários e da própria Suframa, que destacam o papel da indústria amazonense na preservação da floresta.


Desinformação de especialista: crítica de Bruno Carazza à Zona Franca de Manaus ignora realidade amazônica – Foto: Reprodução

A Zona Franca de Manaus (ZFM) voltou ao centro do debate nacional após a publicação de um artigo do economista Bruno Carazza, professor da Fundação Dom Cabral, no jornal Valor Econômico. No texto, intitulado “COP em Belém e bilhões para ar-condicionado em Manaus”, o colunista classificou o modelo da ZFM como “poluente e insustentável”, chegando a sugerir que a produção de aparelhos de ar-condicionado no Polo Industrial de Manaus seria “contraditória com os objetivos da agenda climática”.

As declarações provocaram reação imediata de representantes da indústria, autoridades políticas e da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que acusaram o economista de desconhecimento sobre a realidade amazônica e o papel econômico e ambiental do modelo.

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O secretário Serafim Corrêa rebateu em suas redes sociais a “desinformação publicada no jorna Valor Econômico” contra a Zona Franca de Manaus (ZFM) – Foto: Reprodução

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Amazonas, Serafim Corrêa, classificou as críticas como “absurdas e preconceituosas”.

“O Amazonas tem 97% da floresta preservada justamente por causa do modelo industrial. Dizer que produzir ar-condicionado é o problema do aquecimento global é uma estupidez”, afirmou Corrêa em vídeo publicado nas redes sociais.

“Quanta imbecilidade! Quanta estupidez! O preconceito com a Zona Franca de Manaus de setores da elite econômica paulista e de determinados economistas está ultrapassando os limites do ridículo”, afirmou Marcelo Ramos – Foto: Reprodução

O ex-deputado federal Marcelo Ramos também reagiu com indignação, chamando as declarações de Carazza de “intelectualmente desonestas” e “preconceituosas”.

“O preconceito de setores da elite econômica do Sudeste com a Zona Franca está ultrapassando o ridículo. Dizer que o problema do aquecimento global é fabricar ar-condicionado na Amazônia é um argumento risível”, ironizou.

Marcelo Ramos rebateu as críticas com dados sobre o papel da Zona Franca na preservação ambiental. Segundo ele, o modelo industrial é o principal responsável por manter o Amazonas com 97% de sua floresta preservada, o maior índice entre os estados da Amazônia Legal.

“O desmatamento não é menor na Amazônia por acaso. É menor porque existe uma matriz econômica industrial que permite gerar renda e riqueza sem destruir o meio ambiente. Só não entende isso quem é imbecil ou quem tem a mente, o coração e a alma carregados de preconceito, como parte da elite paulista”, declarou.

Ramos comparou ainda as taxas acumuladas de desmatamento, destacando que estados com economia baseada em pecuária, agricultura e mineração apresentam índices muito mais elevados.

“O Pará tem 77% da floresta preservada, Rondônia 62%, enquanto o Amazonas mantém 97%. Isso mostra que a Zona Franca é, sim, um modelo sustentável”, afirmou.

Suframa se pronuncia

Em nota oficial, a Suframa rebateu as afirmações do colunista e ressaltou que a ZFM é um dos principais instrumentos de preservação da floresta em pé, ao oferecer uma alternativa econômica sustentável à exploração predatória.

“A matéria falha ao não reconhecer o principal e inegável papel da ZFM: evitar o avanço de atividades predatórias e garantir renda e empregos sustentáveis”, destacou a autarquia.

Segundo dados da Suframa, o Polo Industrial de Manaus gera mais de 500 mil empregos diretos e indiretos e contribui para que o Amazonas mantenha apenas 7,4% de área desmatada, índice muito inferior ao do Pará (34,6%) e ao do Mato Grosso (31%).

O episódio reacendeu o debate sobre o desconhecimento de parte da elite econômica do Sudeste em relação ao modelo amazônico de desenvolvimento. Enquanto o artigo foi publicado, o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) apresentava, durante a COP30 em Belém (PA), projetos de sustentabilidade e práticas ESG desenvolvidas por empresas do Polo Industrial de Manaus.

A Suframa reafirmou que o modelo da Zona Franca tem validade constitucional até 2073 e continuará sendo um pilar de desenvolvimento sustentável e conservação ambiental na Amazônia.