
A quadrilha das oficinas lesou mais de 80 pessoas na capital – Foto: Reprodução
Brasília definitivamente não é para amadores. Um esquema sofisticado de fraudes em oficinas mecânicas no Distrito Federal transformou serviços simples, como a troca de pneus, em prejuízos que chegavam a R$ 20 mil por vítima. Ao todo, mais de 80 pessoas foram lesadas, com danos que ultrapassam R$ 600 mil.
As investigações foram conduzidas pela Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Ordem Tributária e Fraudes (Corf), da Polícia Civil, após uma série de denúncias. Segundo os investigadores, o grupo criminoso agia de forma estruturada e tinha como principais alvos idosos, escolhidos pela maior vulnerabilidade.
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Como funcionava o golpe
As vítimas procuravam as oficinas para serviços básicos, como alinhamento ou troca de pneus. Durante o atendimento, eram informadas sobre supostos defeitos graves no veículo. A partir daí, os orçamentos disparavam, saltando para valores entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.
Quando questionavam as cobranças, os clientes eram pressionados, coagidos e até ameaçados. A prática combinava fraude técnica com intimidação psicológica, explorando a boa-fé dos consumidores.
Mansão bancada pelas vítimas
O chefe do esquema foi preso durante a Operação Rota Scan III, deflagrada na quarta-feira (25/2). Ele morava em uma mansão no Lago Norte, área nobre de Brasília, cujo aluguel mensal custava R$ 20 mil — valor que, segundo a polícia, era sustentado pelo dinheiro obtido com os golpes.
Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em Goiás. Cinco suspeitos foram presos.
Empresas em nome de laranjas
De acordo com a Corf, os envolvidos já haviam sido alvo de operações anteriores e até condenações por crimes semelhantes. Mesmo assim, continuavam atuando no setor de oficinas e pneus.
Para driblar a fiscalização, alteravam contratos sociais e transferiam empresas para o nome de laranjas, mantendo o esquema ativo mesmo após ações policiais.
A investigação segue em andamento, e a polícia orienta consumidores a desconfiarem de diagnósticos alarmistas e a sempre buscarem uma segunda avaliação antes de autorizar reparos de alto valor.
Em Brasília, o recado é claro: até um simples conserto pode esconder um esquema milionário.
