
Mercado reagiu positivamente após Flávio Bolsonaro liderar primeiro turno – Foto: Reprodução
O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte valorização nesta segunda-feira (5), primeiro pregão após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. O Ibovespa, principal índice da B3, subiu 7,70%, aos 206.911,89 pontos, estabelecendo um novo recorde histórico. Durante o dia, o indicador chegou a 209.605,70 pontos.
A alta ocorreu um dia depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar a primeira etapa da eleição à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
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O desempenho da Bolsa também marcou a maior alta diária do Ibovespa desde março de 2020, segundo dados divulgados após o encerramento do pregão. O movimento foi acompanhado por forte valorização de ações de bancos, varejistas e outras empresas mais sensíveis às perspectivas para juros e atividade econômica.
Dólar cai abaixo de R$ 5
O dólar comercial também teve uma forte reação. A moeda americana encerrou a sessão cotada a R$ 5,001, com queda de aproximadamente 4,1%. A valorização do real ocorreu em meio à reprecificação dos ativos brasileiros após o resultado eleitoral.
A queda do dólar favoreceu especialmente empresas voltadas ao mercado doméstico e companhias que podem se beneficiar de juros menores. Por outro lado, a valorização do real tende a reduzir, em reais, a receita de empresas exportadoras que recebem parte relevante de seus ganhos em moeda estrangeira.
No exterior, o movimento também foi observado entre ativos brasileiros. O ETF EWZ, negociado nos Estados Unidos e composto por ações brasileiras, registrou forte alta durante a sessão.
Por que o mercado reagiu positivamente?
A reação dos investidores está relacionada principalmente às expectativas em torno da política fiscal. Analistas ouvidos pela imprensa financeira apontam que parte do mercado interpreta a liderança de Flávio no primeiro turno como um aumento da possibilidade de adoção de medidas de contenção de despesas e de mudanças nas regras fiscais.
O plano de governo apresentado pelo candidato do PL prevê redução da estrutura administrativa federal, corte de ministérios e cargos, revisão de despesas, mudanças na legislação fiscal e redução de impostos. O documento também propõe a criação de uma nova regra para limitar o crescimento dos gastos públicos e a retomada de privatizações e concessões.
A campanha de Flávio também trabalha com a ideia de um ajuste fiscal equivalente a cerca de 1,5% do PIB e com uma regra que poderia restringir ainda mais o crescimento das despesas caso a dívida pública atinja níveis considerados elevados.
Esse cenário, contudo, ainda depende de definições políticas e econômicas. Analistas ressaltam que o candidato não detalhou completamente como pretende executar o ajuste e que a capacidade de aprovação das medidas dependerá da composição do Congresso e das negociações políticas após a eleição.
Juros futuros também recuam
Além da Bolsa e do câmbio, os contratos de juros futuros registraram queda. A movimentação indica que os investidores passaram a trabalhar com a possibilidade de uma melhora das contas públicas e, consequentemente, de um ambiente mais favorável para uma redução dos juros ao longo do tempo.
Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa para esse nível na reunião de 16 de setembro, com vigência a partir do dia seguinte.
A relação entre política fiscal, inflação e juros é um dos principais pontos de atenção para o próximo governo. Economistas ouvidos pelo InfoMoney destacaram que um ajuste fiscal considerado crível poderia contribuir para a redução das expectativas de inflação e abrir espaço para uma trajetória de juros mais baixa.
Situação fiscal será desafio para o próximo governo
A forte reação dos mercados ocorre em um momento de preocupação com a trajetória das contas públicas. A dívida bruta do governo alcança cerca de 82,9% do PIB, segundo dados e estimativas citados por analistas econômicos.
Estudos divulgados nesta segunda-feira apontam que a estabilização da dívida exigiria um esforço fiscal expressivo nos próximos anos. Economistas consultados pela Folha estimam que o ajuste necessário poderia alcançar pelo menos R$ 250 bilhões ao longo de quatro anos, dependendo da evolução dos juros, do crescimento econômico e das medidas adotadas pelo próximo governo.
O cenário coloca o equilíbrio das contas públicas no centro da disputa do segundo turno. Tanto a política de controle de despesas quanto a capacidade de aprovar reformas no Congresso serão acompanhadas de perto pelos investidores.
Mercado ainda aguarda definições
Apesar da reação positiva, analistas alertam que o movimento dos ativos não representa uma garantia sobre o comportamento da economia nos próximos meses. A valorização observada nesta segunda-feira reflete expectativas dos investidores diante do resultado eleitoral, e não medidas econômicas já implementadas.
O próprio debate econômico do segundo turno deverá trazer novas informações sobre a composição das equipes, as prioridades fiscais e a estratégia de cada candidato para lidar com a dívida, os juros e as despesas obrigatórias.
Flávio Bolsonaro e Lula terão agora três semanas de campanha até o segundo turno, marcado pelo TSE para 25 de outubro. O resultado dessa etapa definirá quem comandará o governo federal a partir de 2027 e quais propostas econômicas terão condições políticas de avançar no Congresso.
