Em 18 de julho de 1945, o Rio de Janeiro se encheu de júbilo para receber os soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) após sua vitória decisiva contra o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial. A cidade foi tomada por uma multidão que festejou os pracinhas como heróis nacionais, que haviam conquistado respeito nas frentes de batalha na Itália.
Contudo, a recepção festiva contrastava com o tratamento que esses mesmos soldados receberam do governo brasileiro, especialmente do regime de Getúlio Vargas. Enquanto o povo saudava seus heróis, o governo e a cúpula das Forças Armadas viam com desconfiança a composição política da FEB, marcada pela presença de militantes de esquerda e simpatizantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB).
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Pracinhas da FEB desfilam na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, após regressarem da Itália – Foto: Memorial da Democracia
O Desprezo de Vargas e a Dissolução da FEB
Após a guerra, a FEB foi dissolvida de imediato, em julho de 1945, e seus membros não receberam nenhum tipo de assistência governamental. Os pracinhas, em sua maioria soldados de origem popular, foram dispensados enquanto ainda estavam na Europa, sem qualquer compensação financeira ou médica. Muitos, feridos, doentes ou traumatizados, retornaram ao Brasil sem condições de trabalho, sendo largados à própria sorte.
O Governo Vargas e a Desconfiança Política
A desconfiança do governo Vargas em relação à FEB não foi apenas política, mas também ideológica. Parte significativa dos pracinhas era composta por militantes de esquerda, o que gerava desconforto no regime autoritário da época. O alto comando do Exército, predominantemente elitista, se ressentia da popularidade dos soldados, muitos dos quais, sem experiência militar prévia, haviam conquistado grandes vitórias no campo de batalha.
Além disso, os veteranos da FEB criaram associações para reivindicar seus direitos, mas estas foram perseguidas pelo governo, que temia o impacto político das mobilizações, especialmente devido à presença de militantes de esquerda em seus quadros.
A Falta de Apoio Pós-Guerra
Enquanto outras potências, como os Estados Unidos e a União Soviética, criaram programas de reintegração e apoio para seus veteranos, o Brasil não ofereceu nenhum suporte real aos seus ex-combatentes. A Força Expedicionária Brasileira, apesar de ser uma unidade de elite, foi dissolvida e seus membros ignorados pelo Estado, que preferiu manter o foco na manutenção de sua política autoritária e em um Exército alinhado com as elites tradicionais do país.
Após a guerra, os pracinhas enfrentaram dificuldades para serem reconhecidos, tanto pela sociedade quanto pelas instituições militares. Somente anos depois, o Brasil erigiria monumentos para homenagear aqueles que tombaram nas batalhas, e muitos de seus veteranos ainda lutavam para serem reconhecidos como heróis da pátria.
Negligência com a FEB na caserna e no país
A história da Força Expedicionária Brasileira revela não apenas a coragem e o sacrifício dos soldados, mas também a negligência e o desprezo do governo e das elites militares em relação a esses homens dentro dos quarteis. Eles lutaram bravamente ao lado dos aliados na Segunda Guerra Mundial, mas, ao invés de serem tratados como heróis, os pracinhas foram desvalorizados, sendo forçados a enfrentar a indiferença de seus pares e pelo governo que, por motivos políticos e ideológicos, se afastou de seus próprios veteranos.
