Atualmente, cachaça brasileira é enviada para mais de 60 países, e já faturou mais de 13 milhões de doláres apenas em exportações neste ano. No Amazonas, mercado ainda tem dificuldades logísticas, mas segue em crescimento
Michael Douglas – [email protected]
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“Pinga”, “Branquinha”, “marvada”, “água que passarinho não bebe”. Não são poucos os adjetivos para definir uma das maiores iguarias brasileiras: a cachaça. A bebida alcoólica é centenária e teve o dia 13 de setembro eternizado como o ‘Dia da Cachaça’, que vem sendo celebrado anualmente desde 2009. No Amazonas, o cenário não é diferente, e com um mercado etílico de certa forma consolidado, há espaço até para o “maior paredão de cachaças do mundo”.
Esse título é da Cachaçaria do Dedé, que há mais de três décadas trabalha neste mercado e tem um nome consolidado dentro do mercado amazonense. O local possui atualmente oito rótulos de cachaças criadas lá mesmo, e soma ao todo um total de 1.114 rótulos de cachaças de todo o mundo.
Segundo o Chef, a produção das Cachaças do Grupo Dedé é feita em um alambique no estádio de Minas Gerais, onde a empresa faz uma vistoria quase que mensal para manter o padrão de qualidade do produto. Entre os principais rótulos originais está a ‘Jambucana’, feita a partir do uso da folha de jambu. Bebida mista, a cachaça traz, em sua composição, a essência de jambu, melado de cana, extrato de canela, cravo, gengibre, ácido cítrico e cachaça do Dedé Prata.
“Nós temos hoje vários tipos de cachaça, desde as nossas originais a outros selos, não faltando opção para o cliente. Mulheres geralmente preferem aquelas mais adocicadas, há quem prefira também as mais fortes, e todos podem ser atendidos. Temos por exemplo uma cachaça especial para a Copa do Mundo, que vem sendo preparada desde a Copa de 2006”, relata Eraldo Oliveira.
Além do mercado da cachaça na capital, a produção do etílico também vem em crescimento no interior do Estado. Prova disso está em Maués, onde Silvio Proença, mais conhecido na cidade como o “Barão do Guaraná”, iniciou a produção da chamada ‘Cachaça Saborizada’, uma iniciativa que surgiu após a sugestão de clientes.
Silvio Proença, o Barão do Guaraná, trabalha também com iniciou em Maués o mercado de cachaças saborizadas (Foto: Arquivo Pessoal)
“A cachaça está entre as melhores do mundo e nós tentamos fazer uma coisa diferente. Não inventamos a roda, simplesmente saborizamos com sabores regionais aqui da Amazônia, como açaí e o camu-camu. Eu trabalho principalmente com o licor do guaraná, e os clientes começaram a pedir para fazer a cachaça com guaraná, que fizemos e posteriormente criamos novos sabores. Estamos sempre testando”, relata Silvio Proença.
Segundo ele, o principal problema enfrentado na produção da cachaça saborizada é a logística para o escoamento do produto, feito em Maués. Além disso, trabalhando exclusivamente com garrafas de vidro, o empresário também busca fazer reutilização destes vasilhames, trazendo também uma noção de sustentabilidade.
“Fazemos questão de trabalhar com garrafas de vidro, porque o sabor em si é outro. Além disso, mesmo tendo a facilidade de produzir a cachaça aqui, o escoamento dessa produção é difícil, já que o meio de transporte aqui é fluvial, sendo tudo mais demorado e caro. Mas a questão aqui talvez não seja o produto em si, mas a produção dessa iguaria, que as pessoas pagam um valor alto”, diz o Barão do Guaraná.
De acordo Eraldo Oliveira, o mercado da cachaça desde os seus primórdios deixou de lado a marginalidade e hoje também possui ares gourmet. No entanto, para aqueles interessados em adentrarem no mercado das cachaças artesanais, a caminhada deve começar com a mais tradicional das cachaças.
“Tem que ser primeiro com a cachaça que a gente chama de branquinha, que é a tradicional. Não tem jeito, porque é com ela que você vai se acostumar com o gosto da cachaça, é o despertar das papilas gustativas. Não tem nada de exagerar, mas saborear mesmo, depois que você parte para outros sabores, algo mais leve, mais doce. É tudo um processo”, esclarece o gerente técnico.
Atualmente a Cachaçaria do Dedé trabalha com oito rótulos originais e mais de 1100 outras marcas (Foto: Jeiza Russo)
O mercado da cachaça
De acordo com o Comex Stat, do Ministério da Economia, e Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), a cachaça brasileira é enviada atualmente para 66 países, principalmente Estados Unidos, Alemanha, Portugal e Itália. De janeiro a agosto de 2022, a exportação do produto equivale a US$ 13,10 milhões e 5,9 milhões de litros.
Isto representa um crescimento de 62,49% e 26,84% respectivamente em valor e em volume em comparação ao mesmo período de 2021.
Segundo IBRAC, o Brasil produz aproximadamente 1,2 bilhões de litros de cachaça por ano e o maior produtor de cachaça no Brasil industrial é o estado de São Paulo, seguido de Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraíba. Por sua vez, Minas e Rio lideram a produção de cachaça artesanal.
De acordo com dados do relatório anual de bebidas alcoólicas da Euromonitor International revelados pelo IBRAC, o mercado da cachaça é avaliado atualmente em R$15,55 bilhões e totaliza quase 469.725,2 milhões de litros, números que representam crescimento de 30% em valor e 18% em volume no comparativo entre 2021 e 2020.
Sobre o dia da cachaça
A data foi instituída por iniciativa do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), em junho de 2009, porque neste mesmo dia, em 1661, o produto então proibido teve a liberação de fabricação e venda no Brasil, após manifestações populares contra as imposições da coroa portuguesa, conhecida como ‘Revolta da Cachaça’.
Fonte: A Crítica
