Amazonas

Culinária

Chefs dão dicas para surpreender no Natal com pratos de inspiração amazônica

Um dos melhores momentos das festas de fim de ano é aquele em que a família se reúne à mesa para apreciar uma ceia.


Essa memória se torna ainda mais especial quando os pratos, ainda que tradicionais, como o peru, ganham toques únicos, como os temperos da cultura própria de cada região. Por aqui, culinaristas experientes garantem que, além de trazer inspirações amazônicas à essas refeições, é possível substituir completamente um prato por outro que seja genuinamente local, como o pirarucu, por exemplo.
Os chefs Ícaro Cardoso e Elisângela Castro, professores do curso técnico em Gastronomia do Centro de Ensino Técnico (Centec), listam ingredientes e dão o passo a passo de receitas que podem fazer com que qualquer refeição natalina, seja almoço ou jantar, ganhe um toque todo especial.

“Quando pensamos em uma refeição, é sempre interessante ter uma ordem. Primeiro a entrada, depois o prato principal e por último a sobremesa. Por isso, a minha dica para abrir o paladar é fazer bolinhos de macaxeira, um ingrediente típico da nossa região. É fácil, rápido e muita gente adora”, afirma Ícaro.

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Receita fácil

Para fazer o bolinho de macaxeira, é necessário ter 500 gramas de mandioca cozida; 2 ovos; 400 gramas de carne seca; 1 cebola média picada; 1 tomate sem pele picado; 1 dente de alho picado; farinha de rosca para dar o ponto; sal e pimenta-do-reino a gosto; além de óleo para fritar.

“Em um prato, amasse bem a mandioca e transfira para uma vasilha. Depois, misture com os ovos, mexa e reserve. Em uma panela, refogue brevemente a cebola e o alho picado. Em seguida, adicione o tomate e misture. Depois, ponha a carne seca e deixar fritar um pouco. Por último, junte a mistura de mandioca e ovo e mexa até ficar homogêneo. Coloque a farinha de rosca aos poucos até dar o ponto de modelar. Para encerrar, faça bolinhas iguais e reserve em uma forma com papel manteiga. Daí é só fritar em óleo quente até dourar e depois servir”, orienta o chef.

Chester com farofa regional

No prato principal, para quem gosta de manter a tradição, mas ainda assim quer inovar, a chef Elisângela traz uma opção. “Temos uma abundância de ingredientes únicos na nossa região, então é muito interessante poder aproveitá-los em uma ocasião especial. Uma dica é rechear o chester ou peru com uma deliciosa farofa que leva tucumã, banana frita, cheiro verde e pimenta cheirosa”, comenta Elisângela.
Os ingredientes são: 300 gramas de farinha de Uarini ‘ovinha’; azeite (a gosto); lascas de tucumã (a gosto); banana frita (a gosto); cheiro verde (opcional); e pimenta cheirosa (opcional). “Comece refogando a cebola no azeite, adicionando a pimenta cheirosa até dourar. Acrescente o tucumã e a banana frita. Por fim, torre a farinha”, explica ela.

Pirarucu bacalhau

Quando se fala em culinária amazônica, é difícil não citar pelo menos um peixe. Por isso, para quem prefere um prato diferente e que valorize esse ingrediente, a dica é bacalhau pirarucu. “Essa espécie é chamada de bacalhau amazônico e não é à toa. Quando bem preparado, temos um prato delicioso e irresistível”, comenta a docente.

Para preparar, é necessário: 200 gramas de pirarucu salgado; 2 colheres de sopa de azeite; 1 tomate médio cortado em rodelas; 1 pimentão verde médio, cortado em rodelas; 1 colher de sopa de ervilhas; 1 cenoura média cozida em rodelas; 1 colher de sopa de cheiro-verde picado; 2 batatas cozidas, cortadas em rodelas; 1 ovo cozido em rodelas.

“Dessalgue o pirarucu, desfie-o e reserve. Em uma panela, aqueça o azeite e refogue o alho, o tomate, a cebola, o pimentão, as ervilhas e a cenoura por cinco minutos. Acrescente o pirarucu desfiado e cozinhe por mais cinco minutos. Adicione o cheiro-verde e desligue o fogo. Em uma travessa, coloque o pirarucu e disponha as batatas, os ovos e as azeitonas ao redor. Sirva acompanhado de arroz branco”, aconselha a chef.

Lasanha caboclinho

Quando se fala em cozinha, sempre tem aquela pessoa apaixonada por massas. Se você é uma delas, uma boa opção é preparar uma lasanha caboclinho. O nome é uma alusão ao famoso sanduíche amazonense que leva tucumã, queijo e banana frita.

“A versatilidade que uma boa lasanha oferece em praticidade e tempo de preparo são inúmeras. Essa receita leva 1 pacote de 500 gramas de massa para lasanha ou um pão de forma sem as bordas; 300 gramas de queijo coalho em fatias; 300 gramas de polpa de tucumã; e 5 bananas pacovã maduras, cortadas e fritas”, explica o chef Ícaro.

Para fazer, comece colocando 2 colheres de manteiga ou margarina em uma panela. Deixe derreter, acrescente 2 colheres de farinha de trigo. Frite por um minuto. Depois coloque 500 ml de leite e mexa sem parar até formar um mingau. Acrescente pimenta-do-reino, uma pitada de sal e noz-moscada. Por fim, coloque uma mistura de creme de leite e misture bem.

“Separe o queijo, o tucumã e a banana frita. Em um refratário ou assadeira, coloque um pouco de molho para forrar o fundo. Depois, ponha a primeira camada de massa e, sucessivamente, coloque queijo, banana frita e tucumã com um pouco mais do molho em todas as camadas. Repita até completar a forma. Pré-aqueça o forno a 180 °C. Para finalizar, coloque queijo coalho ralado e leve ao forno por 30 minutos”, indica o chef.

Creme de cupuaçu

Para finalizar e marcar o almoço ou jantar natalino, a dica do chef Ícaro é encerrar com um creme de cupuaçu, fruta típica da Amazônia. Você vai precisar de: 250g de polpa de cupuaçu; 1 lata de leite condensado; 1 lata de creme de leite; 1 pacote de biscoito de maizena; chocolate meio amargo.

“Reserve apenas a polpa do cupuaçu. Em seguida, junte a polpa com o leite condensado e o creme de leite num liquidificador, e bata até obter um creme bem denso e homogêneo. Para compor o doce, triture biscoitos de maizena em uma trituradora ou manualmente. Numa forma, ou em recipientes individuais, cubra o fundo com o creme de cupuaçu. Depois espalhe os biscoitos de maizena moídos e volte a cobrir com o creme sobrante. Por fim, decore com raspas de chocolate. Coloque na geladeira por 4 horas antes de servir”, orienta o chef.