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Governo Trump anuncia vistos para Flávio Bolsonaro e família após senador deixar o Brasil

Autoridades americanas informaram que o Departamento de Estado concederá documentos de entrada ao senador e seus familiares. Viagem ocorre após decisão do STF sobre passaportes e derrota na eleição presidencial de 2026; eventual concessão de asilo político não foi confirmada.


Foto: Reprodução

 

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O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, informou nesta terça-feira (27) que concederá vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a seus familiares. A medida foi divulgada por veículos de imprensa brasileiros após uma autoridade americana confirmar que o Departamento de Estado permitirá a entrada do parlamentar e de seus parentes em território norte-americano.

A notícia veio à tona depois que pessoas próximas à família Bolsonaro afirmaram que o senador havia deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos, acompanhado da mulher, Fernanda, e das duas filhas. Segundo relatos publicados pela imprensa, Flávio teria chegado ao país durante a tarde desta terça-feira.

A movimentação ocorre dois dias após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro. De acordo com os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 48,21%.

Moraes mandou apreender passaportes de Flávio Bolsonaro após PF apontar risco de saída do Brasil

Subtítulo: Polícia Federal citou declaração de Eduardo Bolsonaro sobre deixar o país em caso de derrota eleitoral e vínculos investigados entre o senador e o advogado Willer Tomaz, que está nos Estados Unidos. Decisão também proibiu Flávio de viajar ao exterior e de manter contato com o advogado.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e proibiu sua saída do Brasil após um pedido da Polícia Federal (PF). A medida foi autorizada no domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, e cumprida na manhã de segunda-feira (26).

Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Polícia Federal apontou elementos que, na avaliação da corporação, indicariam risco de Flávio deixar o território nacional. Entre os fundamentos relatados estão uma declaração pública de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, e informações levantadas em uma investigação financeira envolvendo o advogado Willer Tomaz.

A decisão também estabeleceu uma proibição de contato entre o senador e Tomaz, investigado em apurações sobre possíveis irregularidades financeiras. O procedimento judicial tramita sob sigilo, e o conteúdo integral da decisão não foi divulgado publicamente.

Declaração de Eduardo Bolsonaro entrou na análise

Um dos elementos mencionados pela Polícia Federal foi uma entrevista concedida por Eduardo Bolsonaro ao podcast americano Louder with Crowder, em 23 de outubro, dois dias antes do segundo turno.

Na ocasião, Eduardo afirmou que apoiaria a saída do irmão do Brasil caso ele perdesse a eleição presidencial. A declaração foi considerada pela PF no contexto da análise sobre uma possível tentativa de deixar o país.

Após ser informado da decisão, Flávio Bolsonaro contestou publicamente a medida. O senador afirmou que nunca declarou intenção de sair do Brasil e questionou a utilização da fala do irmão como justificativa para a restrição de seus documentos.

A declaração de Eduardo, isoladamente, não comprova que Flávio pretendesse deixar o país. Ela foi apresentada como um dos elementos considerados pela Polícia Federal, em conjunto com informações relacionadas à investigação financeira.

Investigação envolve empresa sediada em Portugal

Outro ponto citado nos relatos sobre o pedido da PF diz respeito à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, ligada ao advogado Willer Tomaz.

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo e reproduzidas por outros veículos, Flávio teria figurado como usuário principal de uma conta relacionada à empresa até maio de 2025. A informação foi considerada pela Polícia Federal no contexto da investigação sobre possíveis movimentações financeiras suspeitas.

A corporação também teria destacado que Tomaz estava em Miami, nos Estados Unidos, desde agosto, sem previsão de retorno ao Brasil, e que dispunha de recursos para permanecer no exterior por período indeterminado.

Esses elementos foram relacionados ao risco de saída do senador do país. As informações, porém, fazem parte de uma apuração ainda em andamento e não representam comprovação definitiva de crime por parte de Flávio Bolsonaro.

Apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro

A investigação conduzida no STF examina possíveis movimentações financeiras relacionadas a empresas e plataformas de apostas, conhecidas como bets, além de relações empresariais atribuídas a Willer Tomaz.

A Polícia Federal analisa registros financeiros e possíveis vínculos entre pessoas e empresas que aparecem na apuração. A relação entre o senador e o advogado também está sob análise das autoridades.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades e questiona as medidas impostas pela Justiça. A defesa dos investigados deve ter assegurado o direito de contestar os elementos reunidos durante a investigação.

Quando a decisão foi tomada?

A cronologia da medida também chamou atenção. De acordo com informações publicadas pelo Estado de Minas, com base em reportagem de O Globo, a representação da Polícia Federal foi assinada digitalmente às 21h16 de domingo (25), sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral confirmar matematicamente a derrota de Flávio na disputa presidencial.

Moraes autorizou a medida ainda naquela noite. A ordem foi cumprida na manhã seguinte, quando o senador visitava o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

A proximidade temporal entre o resultado eleitoral e o pedido provocou questionamentos de Flávio e de aliados, que levantaram suspeitas de motivação política. A sequência dos acontecimentos, por si só, não comprova perseguição política nem permite concluir que a decisão tenha sido motivada pelo resultado eleitoral.

O que aconteceu depois da apreensão dos passaportes?

Na terça-feira (27), pessoas próximas ao senador afirmaram que ele havia deixado o Brasil e chegado aos Estados Unidos acompanhado da mulher e das duas filhas.

O governo de Donald Trump informou, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, que concederia vistos a Flávio e a seus familiares. A notícia surgiu após relatos de que integrantes do governo americano teriam participado da articulação para viabilizar a viagem.

A concessão de vistos, entretanto, não equivale à concessão de asilo político. São procedimentos distintos, e não havia confirmação pública de aprovação definitiva de um eventual pedido de asilo nas informações divulgadas.

A viagem pode gerar novos desdobramentos judiciais e diplomáticos, especialmente em relação ao cumprimento da ordem de Moraes e à situação migratória do senador nos Estados Unidos.

Importante: Flávio Bolsonaro é investigado, e as suspeitas mencionadas não equivalem a condenação. A decisão sobre os passaportes foi tomada em caráter cautelar, segundo informações publicadas pela imprensa, e seus fundamentos devem ser apresentados com a ressalva de que o processo tramita sob sigilo.

Participação de Marco Rubio é citada por fontes

Reportagens publicadas nesta terça-feira também apontaram uma possível participação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, na operação que teria viabilizado a saída do senador do Brasil.

A informação foi atribuída a pessoas próximas de Flávio Bolsonaro e a fontes ligadas ao governo americano. Não há, nas informações públicas consultadas, detalhamento oficial suficiente para esclarecer a extensão dessa suposta participação.

O anúncio de que os Estados Unidos concederão vistos ao senador e a seus familiares, por si só, não comprova a concessão de asilo político. Os procedimentos são distintos: o visto permite a entrada no país conforme suas condições, enquanto o asilo depende de um processo próprio e de uma decisão das autoridades competentes.

Duas investigações estão no centro das apurações

Flávio Bolsonaro também é citado em investigações relacionadas a suspeitas de irregularidades financeiras. Uma delas envolve o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, e negociações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com reportagens da imprensa, a investigação examina suspeitas relacionadas à origem e à movimentação de recursos que teriam sido destinados ao projeto. O senador nega irregularidades e afirma que o filme é financiado com recursos privados.

Outra frente de apuração envolve a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, mencionado em investigações sobre possíveis movimentações financeiras suspeitas. Conforme as informações divulgadas, as autoridades apuram eventuais vínculos financeiros e empresariais. A existência de uma investigação não significa, por si só, comprovação de culpa.

As acusações e suspeitas precisam ser avaliadas no âmbito dos procedimentos legais, com respeito ao contraditório e à presunção de inocência.

Fim do mandato pode alterar situação jurídica

Flávio Bolsonaro deve deixar o mandato de senador em fevereiro de 2027. Com o encerramento do mandato, sua situação em relação ao foro por prerrogativa de função poderá mudar, conforme a natureza dos fatos investigados e as regras de competência aplicáveis a cada procedimento.

O foro especial não representa imunidade absoluta contra investigações ou responsabilização criminal. A competência para conduzir cada caso depende das circunstâncias jurídicas e da relação dos fatos com o exercício do cargo público.

O que se sabe até agora

Até a divulgação das informações nesta terça-feira, os principais pontos eram:

    • O governo americano informou que concederá vistos a Flávio Bolsonaro e a seus familiares.

    • Pessoas próximas ao senador afirmaram que ele deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos.

    • A viagem ocorreu após uma determinação judicial relacionada aos passaportes e à saída do país.

    • Fontes citadas pela imprensa mencionaram possível participação de integrantes do governo Trump na operação.

    • Não havia confirmação pública de que um eventual pedido de asilo político tivesse sido formalmente aprovado.

O caso pode provocar novos desdobramentos diplomáticos e jurídicos, dependendo das decisões das autoridades brasileiras e americanas e da divulgação de informações oficiais adicionais.